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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

GRUPO PILÃO



Grupo musical pioneiro no uso e valorização da cultura regional do Amapá. Criado em Macapá em 26 de setembro de 1975, por ocasião da realização do 5º Festival da Canção Amapaense, na ocasião em que defendeu a música Geofobia, de Fernando Canto e Jorge Monteiro, usando um pilão como instrumento musical.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

FESTA DE S. JOAQUIM NOCURIAÚ


A 8 km de Macapá, ao norte, situa-se a localidade de Curiaú, um povoado habitado por cerca de 300 negros, remanescentes de escravos, que ali, originalmente formaram um quilombo para refugiarem-se dos maus tratos a que eram forçados na época da construção da bi­centenária Fortaleza de São José de Macapá, na segunda metade do século XVIII. Há dois núcleos, distantes cerca de 1 km, com as denominações: Curiaú de Dentro e Curiaú de Fora. Ambos vivem de uma cultura de subsistência, através do extrativismo vegetal e animal bem como da produção de diversos cultivos agrícolas e da pecuária. A farinha de mandioca ali produzida é famosa e considerada a mais gostosa das redondezas.

O Curiaú de Dentro, se caracteriza pela exuberância de um grande lago natural. A bonita paisagem com nuances de verde contrasta com os búfalos e com a plumagem das variadas espécies de aves que dele fazem seu habitat. Na época das chuvas o lago fica cheio como um grande lençol verde. No verão ele seca, ficando somente um igarapé de água corrente onde banhistas para lá se dirigem nos fins de semana e feriados. Já no Curiaú de Fora, a beleza é marcada pela vegetação típica do cerrado, tendo ao seu redor várias “ilhas” de mato em forma circular.

Apesar da aparência das construções, a Vila do Curiaú não é, como se pensa, uma sociedade primitiva, mas sim um lugar politicamente organizado. Seus habitantes são profundamente devotos de várias imagens católicas e tradicionalmente as festejam com fé e veneração.

No Curiaú de Dentro comemora-se São Sebastião, em janeiro, e Santo Antônio, em setembro
No Curiaú de Fora festeja-se Santa Maria, em maio (quando é dançado o Marabaixo), São Tomé, em dezembro, e São Joaquim, o padroeiro dos dois núcleos, no mês de agosto.

Em todas as festas, com exceção da de Santa Maria, após a ladainha, dança-se o Batuque, a grande expressão de origem africana dos habitantes do lugar. Entretanto, é na Festa de São Joaquim que existem aspectos mais interessantes. É a única em que ocorre a Folia.



A Folia e a Ladainha - No dia 09 de agosto, à noite, iniciam-se as festividades de São Joaquim, quando os rezadores e músicos convocam os devotos para irem à Igreja para rezarem a ladainha.

Oh, devoto vamos rezar
A ladainha do Senhor (Bis)
Ai, vamos nós todos adorar
É o sagrado resplendor (Bis)

Ai, eu chamei todos os devotos
Ai, já são horas de obrigação (etc)...

A convocação dos fiéis, feita através da folia, dura cerca de quinze minutos, é realizada pelo Mestre-Sala, e acompanhada por instrumentos específicos do ritual. A campa (pequeno sino) é tocada pelo Mestre-Sala, quando situado entre os dois porta-bandeiras, faz com esse instrumento a marcação do ritmo.
O tambor, comprido e leve, feito de madeira e couro de sucurijú (espécie de cobra da região) também faz a marcação da folia. Os outros dois pandeiros são confeccionados com madeira do cacau e pele de carneiro ou bode.
Duas tabocas fechadas nas extremidades, com sementes dentro, exercem a função de xique-xiques, quatro reco-recos que também são feitos de taboca, onde o tocador passa uma vareta sobre os gomos escavados nela para provocar o som.  Por fim duas violas de cinco cordas fazem o acompanhamento das melodias. Todos os dias, durante a Festa, ocorrem a Folia e a Ladainha. Esta é rezada em latim (com uma entonação de voz toda especial), pelo Mestre-Sala e seu ajudante e respondida em coro pelos assistentes.
O Mestre-Sala é o condutor espiritual da comunidade, pois no Curiaú não existe paróquia ligada à Diocese de Macapá. Após a ladainha, recomeça a Folia. Nessa ocasião todos os devotos devem obediência ao Mestre-Sala. Ele comanda todo o ritual sempre com uma toalha em volta do pescoço. Se achar que um dos devotos não se comportou bem, em relação às suas obrigações religiosas, no dia em que comparecer à Folia terá que “pagar prenda”. Essa prenda consiste em ter que rezar orações ajoelhado e encoberto com as bandeiras do Santo. Assim que ele termina de rezar os foliões dão sinal nos instrumentos.
Terminada a Folia os devoto demonstram sua fé cantando:

“Da cepa nasceu a palma
Da palma nasceu a flor
Aí, nasceu flor, nasceu São Joaquim
Que é para o nosso Redentor

Estão rezadas, rezadas
Estão completas as orações
Ai, tem os anjos por companhia
Ai, quem rezou com devoção (etc)...



O mastro - O mastro da Festa de São Joaquim também existe há mais de um século. Foi feito da árvore de Jacaraúba e todo ano é repintado e levantado. Sua pintura é feita de branco e de listas em espirais azuis. O levantamento do mastro é feito no dia 14 de agosto, e até o término da festa é hasteada a bandeira branca onde está bordada a coroa do Santo.
Todo o processo da Festa de São Joaquim tem características religiosas e profanas. As ladainhas, a procissão e a folia retratam com profundidade a devoção e a fé que os habitantes do Curiaú tem para com seus santos. Por outro lado o Batuque demonstra intensamente as raízes africanas estabelecidas aqui durante o Brasil Colonial, onde o canto negro revolve o espírito de luta e o desejo imenso de ser libertado. Há também bailes populares, antes tocados com instrumentos de pau e corda mas que nos últimos anos foram substituídos por aparelhagens de som mecânico.



O Batuque -  O batuque do Curiaú começa logo após a Folia. É uma das manifestações de dança mais expressivas encontradas no Amapá. O ritmo estonteante dos seculares tambores chamados de “macacos” (porque são feitos do tronco de macacaueiro e de couro de animais) espalham-se pelo salão do centro comunitário do Curiaú de Fora.
Antes, porém, é preparada uma fogueira que fica permanentemente acesa com a missão de esquentar o couro dos instrumentos. São dois os “macaco”: um de repenicar e outro de marcar o ritmo chamado amassador. Cada um deles tem a forma cônica e mede cerca de um metro de comprimento.
Existem também três pandeiros confeccionados há muitos anos com a madeira do cacaueiro e de couro de carneiro ou de sucuriju, que fazem parte do ritmo quente do batuque. Os batuqueiros tocam os tambores sentados sobre os seus respectivos "macaco" e que ficam superpostos num tarugo do acapú.
Os cantadores (solistas) e os tocadores de pandeiro ficam juntos no centro do salão, enquanto os dançadores fazem rápidas evoluções sobre si mesmos e ao redor dos batuqueiros, sempre no sentido inverso ao do relógio.

Ê, ê, São Joaquim
Ê, ê, São Joaquim
Na hora da morte
Reza por mim.

Inda não dançou
Inda não dançou
Essa moça bonita
Inda não dançou

Na dança, sob o som do Batuque, entram homens, mulheres e crianças. Quando o ritmo se intensifica forma-se um espetáculo sem igual: as saias rodadas e coloridas das mulheres tomam conta do salão quando fazem evolução. Os gritos e a queda de corpo que os homens experimentam também cobrem os movimentos da dança. Todos os que assistem podem dançar e participar da Festa.




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

FESTA DA PIEDADE EM IGARAPÉ DO LAGO


A Vila de Igarapé do Lago, situada a 85 Km em direção Oeste de Macapá --  atualmente pertencente ao município de Santana -- com uma população de aproximadamente 500 habitantes, é um lugar aprazível, caracterizado por uma bela paisagem natural, onde os principais elementos são os campos, os lagos que se formam durante o inverno e os igarapés, margeados pela flora exótica da Amazônia. O povo desse lugar é profundamente religioso e possui uma grande devoção a Nossa Senhora da Piedade, por isso, anualmente realiza uma festa em sua homenagem que começa nos fins de junho e termina no início de julho.



A tradição da festa da Mãe de Deus da Piedade teve sua origem no início deste século, introduzida por Belmiro Machado de Medina, que durante 50 anos liderou a organização dos festejos, formou e incentivou grupos de foliões. Grande parte da população de Igarapé do Lago herdou de seus antepassados escravos o gosto pela dança e pelo batuque, mas sem esquecer, contudo, que o lado profano não poderia existir sem o sentido religioso que é dado por ocasião da Festa. Toda ela possui uma estrutura ritualística uniforme e respeitada pelos moradores. O corte do mastro, as novenas, a missa, os bailes populares, a “Procissão da Meia-Lua”, a procissão fluvial com a imagem da Santa em peregrinação pelas localidades vizinhas, a procissão pelas ruas da Vila e o Batuque, que é o ponto culminante da Festa, são características que refletem a certeza de sua beleza na mistura mágica das raças e no comportamento devoto desse povo humilde e rico de sentimentos religiosos.


            Sendo o Batuque o ponto principal da Festa, o ápice do aspecto profano, tem ele uma estrutura significativa e interessante. O morador mais antigo é chamado de “Mantenedor”, ou seja, o mestre da disciplina, o folião que dirige o grupo e o cantador oficial. Ele usa uma toalha branca no ombro esquerdo e uma estola da mesma cor tendo nas pontas cruzes em azul. Quando ela é colocada em volta do pescoço o Batuque deve começar, quando retirada, tudo para. É o “Mantenedor”, também, que estabelece pena aos foliões que não cumpriram alguma obrigação para com Nossa Senhora da Piedade. A pena consiste em anunciar-lhes o nome e ordená-los que rezem orações à Santa ajoelhados sobre uma pedra pontiaguda pintada de branco. O Estandarte branco contendo a imagem da Santa desenhada em azul é levado, durante a procissão, por um dos mais antigos moradores. Seu mastro é enfeitado de plantas e fitas e segue fazendo evoluções seguido pela “Labada”, que é uma cruz branca de 2 metros de altura e representa a fé em Cristo e Maria.



            Quarenta mulheres, tornadas “Escravas Devotas” de Nossa Senhora da Piedade são as “Bailantes” que dançam durante o Batuque segurando a barra da saia, dando voltas e cantando o coro das músicas tiradas pelo cantador. O cargo das “Bailantes” é vitalício e no caso de morte só pode haver substituição depois de uma análise da diretoria da festa, que normalmente aceita a pretendente que tenha parentesco com a falecida. A maioria dos instrumentos usados no Batuque são rústicos e fabricados por elementos da comunidade, alguns, entretanto, existem há dezenas de anos.



São três os tambores. O Cupiuba é o maior deles, sua função é fazer a marcação do Batuque. Tem cerca de um metro de comprimento, forma cônica e é feito da árvore chamada cupiubeira. O Macacaúba, um pouco menor, semelhante aos outros é feito da árvore do mesmo nome. Há também o Cajuna, o menor deles, que com o Macacaúba são utilizados durante a procissão. Um tipo de ganzá, chamado Taboqueira, feito de gomos de taboca - espécie de bambu - contendo por dentro grãos de milho e tentos (sementes) também é usado no Batuque.

O rapador é outro instrumento feito de taboca e possui gomos escavados por fora onde o tocador provoca o som passando uma vareta sobre eles. Os pandeiros são confeccionados com tiras de árvores, tampinhas de lata e couro de animais.

As violas, violões, cavaquinhos e clarinetes são adquiridos em lojas especializadas em instrumentos musicais. Quando se tocam os tambores, um pedaço de pau de acapu (tarugo) chamado rolete, é utilizado para sustentá-los no chão, inclinando-os para dar maior comodidade aos tocadores que ficam montados sobre eles. O traje das mulheres consiste em saias longas, rodadas e coloridas. Usam blusas estampadas e flores na cabeça como adorno. Dos homens, apenas o “Mantenedor” usa camisa e calças brancas.

Tradicionalmente o grupo de foliões começa o Batuque sob a fronde de urna árvore chamada Esponjeira, plantada na entrada da Vila, por membros das famílias Macedo e Luz. A esponjeira possui tronco grosso e copa ampla, assemelhando-se a um cogumelo gigante.

O primeiro canto da Festa é feito em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, tirado pelo “Mantenedor”. Esse canto chama-se “Andou”. Depois prestam homenagem aos moradores mais antigos da localidade. Muitas músicas são antigas e outras são tiradas de improviso, tendo como base os fatos que ocorrem dentro da comunidade. O “Mantenedor” tira os versos e é acompanhado pelo coro das “Bailantes” que diz:

“Fui passear com a sereia / Bicho  do fundo levou
Corre sangue pela veia / Meu coração deixa flor (Bis)

Desenvolvimento dos festejos - O dia 24 de julho começa com uma alvorada festiva às 5 horas da manhã, seguindo-se o corte do Mastro e o assentamento deste à tarde, a primeira novena e o primeiro Batuque, iniciado às 21 horas. Do dia 25 a 28 prosseguem as novenas conforme o ritual. A partir do dia seguinte, a imagem da Santa é levada até a localidade de Jaruba, acompanhada por foliões, dando início à peregrinação. Às 17 horas fazem pernoite na Vila dos Bois, com cerimônia e novena.
No dia 30 a peregrinação prossegue e há pernoite no lugar chamado Camaleão, também com cerimônia e novena. Dia 1º de julho a Imagem da Santa e os foliões chegam ao trapiche da Vila e são festivamente recepcionados pela comunidade. Depois, em procissão, deslocam-se até a Igreja local onde fazem as cerimônias religiosas tradicionais.

No dia seguinte ocorre outra alvorada festiva às 5 horas da manhã e o vigário regional celebra a missa às 8 horas. Mais tarde acontece um fato de rara beleza: é a peregrinação com a Imagem da Santa em romaria a todos os lares do povoado, simbolizando a fiel adoração que os moradores têm por Nossa Senhora da Piedade. À noite há novena e a seguir um baile popular.

No dia 3 de julho em outra alvorada festiva, inicia-se a uma pequena feira com venda de produtos agrícolas como farinha de mandioca, milho, batata, frutas cítricas e artesanato. Às 11 horas fazem a exibição da “Procissão da Meia Lua” no Igarapé que banha a Vila. Às 14 horas começa a grande apresentação do Batuque que é o ponto máximo da Festa. Às 20 horas ocorre o baile de encerramento e à meia-noite há o esperado espetáculo pirotécnico. Além do que consta na programação oficial do dia 3 de julho o visitante poderá entreter-se em passeios de barco pelo belíssimo igarapé, pescar, andar a cavalo pelos campos que circundam a Vila, tendo a oportunidade de um contato maravilhoso com a paisagem natural de localidade.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

CRENDICES E SUPERSTIÇÕES

      

Água
Existem alguma crendices relacionadas com a água. Vejamos algumas  das mais conhecidas: Para que alguém seja nosso amigo, devemos dar-lhe de beber água coada em uma de nossas camisas; Dar de beber água de chocalho a um bebê faz com que ele fale mais cedo.

            Algodoeiro
Há uma crendice de que a moça que brinca com as flores do algodoeiro, sé é bonita de noite. Motivo: essas flores só desabrocham no período noturno.

           
            Alho
Diz a crendice popular que o alho tem poder para afastar duendes e espíritos maus que se incorporam às pessoas. Muito usado contra os botos, lobisomens etc. Serve também para qualificar alguém de sabido. Ex: “Eliana é esperta como o alho”.

            Canto do Acauá
            Na mitologia amazônica, o Acauã (Ver Fauna Amapaense) é considerado portador de azar. O Canto do Acauã é uma expressão que traduz azar. Quando nada dá certo para alguém, diz-se: “Parece que ele ouviu o canto da acauã”. O canto se assemelha a uma risada que, segundo a superstição, dá desequilíbrio nervoso em quem o ouve, principalmente se for mulher. O acua é um pequeno gavião da família dos falcanídeos (Herpetotheres cachinians).
           
            Pé-de-pato
Espírito do mal, demônio; ente maligno.

            Póe-mesa.
Inseto (Stagmatoptera precária), conhecido no sul do país por Louva-a-deus. Sua presença é indício de bom agouro. Significa promessa, esperança, noticia agradável, que vem por aí. A velha aspiração de saber-se o sexo da criança por nascer é resolvida pela crendice do povo em torno do põe-mesa. Assim, quando se tem grávida em casa, a coisa mais fácil, para antecipar se o bebê será menino ou menina, é apelar para o concurso da saltitante visita. Segura-se o inseto e dá-se-lhe um sopro; se apenas move as pernas dianteiras, e mulher; se grimpa e tenta saltar sobre as pessoas, é homem. [1]

Urubu.
Existe uma crendice amazônica, bastante difundida entre as populações ribeirinhas do Amapá, de que o urubu não pode ser abatido no ar por arma de fogo. Quem o fizer, pode sofrer o castigo de ficar abobalhado (biricica) para o resto da vida. A maldição se estenderá também para todos aqueles que fizerem uso da arma de fogo.

Vingança. Chama vingança, as regiões ribeiras da Amazônias, a certas deformidades que trazem os recém-nascidos, os quais vêm como castigo de atos reprováveis praticados, não somente pela gestante, mas por qualquer outra pessoa que lhe seja próximo, ou também, por espanto ou surpresa que aquela tenha experimentado. Assim, se o caçador abater a caça e mutila-la, trazendo-a à presença da mulher grávida, de modo a causar-lhe espanto, a parte mutilada, como as patas, por exemplo, a criança nascerá sem pé ou sem mão, conforme for a dianteira ou a traseira a parte maltratada do animal.[2]



[1] ORICO, Oswaldo, Vocabulário de Crendices da Amazônia.
[2] CANTANHEDE, Antonio, O Amazonas Por Dentro, 1966, Manaus, Amazonas.

domingo, 27 de julho de 2014

CENTRO DE CULTURA NEGRA


O Centro de Cultura Negra foi criado, em Macapá, em 5 de setembro de 1998, com a finalidade de resgatar e preservar o modo de vida, usos e costumes da raça no Amapá. Está localizado em uma quadra do bairro do Laguinho, distinguido como tradicional reduto de afrodescendentes,  de onde se dissemina muito a influ^ncia da raça para outras partes da cidade e do Estado.

A instituição surgiu no rastro da União dos Negros do Amapá (uma), entidade que há alguns anos vinha se esforçando para manter viva a cultura dos descendentes dos escravos africanos que para o Amapá vieram para lides na lavoura, caça, pesca, e principalmente para trabalhar na Fortaleza de São José de Macapá.


O Centro dispõe de salas museus e salas muiti-uso para oferecer, além de realizações como espetáculos musicais e dança, teatro e diversas outras, curso sobre mitologia africana, figurinos afro-braileiros, história do negro no Amapá, cab eleireiro sobre penteado afro-artesanato, linguas e dialetos africanos, história da arte negra, bijuterias africanas e música negra.




quarta-feira, 23 de julho de 2014

BANDA DE MÚSICA OSCAR SANTOS


1954 - Primeiros momentos da banda,em apresentação no auditório do antigo GM, hoje Escola Antonio Pontes

Esta é para recorda um pouco o mestre. A Banda de Música Oscar Santos foi criada em Macapá em 25 de janeiro de 1954, pelo mestre Oscar Santos, na então Escola Profissional Getúlio Vargas, hoje Escola Integrada de Macapá.  Após a morte de mestre Oscar, a banda de música ganha a nomenclatura de Banda de Música Oscar Santos.
 

sábado, 19 de julho de 2014

A Festa de São Tiago em Mazagão Velho


A Festa de São Tiago em Mazagão Velho inicia no dia 16 de julho e termina no dia 27. Entretanto, o movimento maior se verifica nos dias 24 e 25, onde a programação refere-se a teatralização da lenda, montada pelos próprios membros da comunidade. Relembra as lutas religiosas travadas entre mouros e cristãos durante o período das Cruzadas, no norte da África, na então Mazagão Africana (hoje El Djadidá, no Marrocos). A primeira comemoração da festa se deu, em Mazagão Velho, em 23 de janeiro de 1777, por ocasião dos sete anos de instalação da vila.

No dia 24, a partir das 15 horas, os emissários dos Mouros entregam presentes envenenados às autoridades cristãs. Há uma ladainha às 20 horas e uma hora mais tarde começa o “Baile de Máscaras”, efetuado pelos Mouros em regozijo à vitória que pensavam ter alcançado por causa dos presentes envenenados que enviaram aos chefes cristãos.

O dia 25 inicia com uma alvorada festiva às 04 horas da madrugada. Às 06:30 horas o Arauto sai pelas ruas da Vila convocando as figuras para o Círio. Às 08 horas ocorre o Círio de São Tiago e às 09 horas inicia uma missa solene. Ao meio-dia, o Bobo Velho sai às ruas para espionar os cristãos e é apedrejado por eles. Às 14 horas, acontece a saída do Arauto anunciando o início da representação da batalha entre Mouros e Cristãos. Depois, em ordem, encenam a tomada do estandarte, a descoberta e morte do Atalaia, a venda das crianças cristãos, a batalha entre as forças inimigas e o "Vomonê". Às 20 horas, ocorre o Recírio e, às 21 horas, outra missa seguida pela ladainha de São Tiago.

Nos dias 26 e 27, as crianças representam o mesmo espetáculo, montadas em cavalinhos de miriti (palmeira da região).



A história da festa

A atual vila de Mazagão Velho, situada a 36 km da sede do município (Mazagão Novo), às margens do rio Mutuacá, foi fundada em 1770 com o objetivo de abrigar 163 famílias de colonos portugueses vindos da costa africana em decorrência dos conflitos políticos-religiosos entre portugueses e muçulmanos que ainda por lá perduravam. Essas famílias e seus escravos chegaram no local por volta de 1771. A partir de 1777, em reverência a São Tiago, reviveram as batalhas que cristãos e muçulmanos travaram no Continente Negro.

O evento fundamenta-se na lenda que conta o aparecimento de São Tiago como o anônimo soldado que lutou heroicamente contra os mouros. A lenda enfoca vários personagens e passagens interessantes: Desde a conquista das terras africanas, os lusitanos, fervorosos católicos, tentaram obrigar os muçulmanos a se tornarem cristãos e aceitarem a fé em Cristo e o batismo de sua religião. Esse fato provocou a reação dos seguidores de Maomé que declararam guerra aos cristãos, estes liderados na época pelos capitães Atalaia, Jorge e Tiago.

“Puxo a espada da bainha, em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Juro pela cruz da minha espada, que so a colocarei na bainha quando pôr fim a essa batalha com a minha vitória”. Com estas palavras, o figurante faz, na tarde do dia 25, na frente da Igreja de São Tiago, o juramento de São Tiago, um dos momentos mais importantes e emocionantes da encenação.

Durante dias ocorreram batalhas acirradas com grande vantagem para os lusitanos que se aquartelaram heroicamente, resistindo aos constantes ataques dos mouros. Estes, chefiados pelo Rei Caldeira, vendo que não venceriam seus antagonistas, imaginaram e armaram uma cilada. Esta cilada consistia em pedir o fim da guerra e entregar aos capitães cristãos maravilhosos presentes em forma de iguarias.

Os cristãos receberam os presentes com grande surpresa e imediatamente desconfiaram que pudessem estar envenenados. Assim jogaram uma parte da comida na granja dos mouros, onde ficavam os animais, e guardaram a outra objetivando preparar uma contra-ofensiva. Sem nada saber da desconfiança dos cristãos os mouros precipitadamente confiaram na vitória da cilada que armaram e, à noite, deram um baile de máscaras, estendendo o convite aos cristãos que quisessem passar para o seu lado, sem que pudessem ser reconhecidos pelos seus superiores.

Os cristãos compareceram mascarados à festa levando a parte da comida que haviam recebido como presente dos mouros e a distribuíram aos seus inimigos que dançavam, bebiam e comiam.

Quando amanheceu o dia, algumas autoridades mouras que costumeiramente visitavam a granja depararam com os animais mortos e chegaram a ver os restos da comida oferecida por eles aos cristãos. Imediatamente correram para despertar os soldados, ainda ressacados da festa, e constataram um espetáculo pavoroso: muitos soldados jaziam mortos por haverem comido o presente dos cristãos e entre eles estava o Rei Caldeira, seu Chefe supremo.

O filho do Rei Caldeira, denominado Menino Caldeirinha, assumiu o trono. Na manhã do outro dia os cristãos aproveitaram o desespero e a desorganização de seus inimigos para atacá-los.

Porém, antes do ataque eles se confessaram e prepararam-se espiritualmente fazendo um juramento. Daí, movidos pela fé, iniciaram uma luta sem precedentes, só amenizada por volta do meio-dia, quando os mouros, aproveitando o descanso dos cristãos, mandaram um vigia - o Bobo Velho - para tentar persuadir seus conterrâneos que haviam se convertido ao Cristianismo a retornarem para seu lado. Além disso, o Bobo Velho poderia espionar o estado em que se encontrava a força dos seus inimigos. Os cristãos perceberam que o Bobo Velho era mais uma trama dos mouros, mas mesmo assim deixaram-no se aproximar do acampamento. Quando ele chegou perto, apedrejaram-no jogando qualquer objeto que encontravam a seu alcance, que desesperado corria assustado.

No fim da tarde, antes de iniciar a batalha, os cristãos mandaram o Atalaia espionar os mouros. O Atalaia arrebatou a bandeira do acampamento mouro, mas foi descoberto pelos inimigos que o feriram. Mesmo ferido de morte o Atalaia conseguiu chegar próximo de seu acampamento e lá atirou a bandeira a seus companheiros dando gritos de alerta. Em represália, os mouros decapitaram-no, espetaram sua cabeça em uma vara e colocaram-na junto ao muro do acampamento cristão para que estes ficassem com medo. Ainda com planos para vencer os cristãos, o rei Caldeirinha mandou que seus soldados fizessem uma passeata ao redor do acampamento a fim de raptar as crianças cristãs, que curiosas, foram facilmente apanhadas.

Depois do êxito do plano elas foram vendidas e o dinheiro arrecadado serviu para comprar armas e munição. Quando os cristãos souberam do roubo de suas crianças iniciaram uma violenta batalha carregada de grande heroísmo e fé. O rei Caldeirinha ainda propôs a troca do corpo do Atalaia (que haviam levado para seu acampamento) pela bandeira moura em poder dos cristãos. Estes aceitaram a troca mas na hora receberam o corpo e não entregaram a bandeira. A batalha recomeçou com essa atitude e, ao entardecer, os cristãos pediram a Deus que prolongasse o dia a fim de que pudessem vencer tão desesperada luta.

Assim, parecia que o dia estava se prolongando e os cristãos foram vencendo as batalhas que se sucediam até que o jovem rei Caldeirinha foi aprisionado, enquanto seus soldados fugiam. Mortos muitos infiéis mouros, os cristãos rejubilaram-se pela vitória agradecendo a Deus e, em passeata, levaram o rei mouro vencido.

À noite, depois de tudo, organizaram um baile chamado “Vomonê” ou “Vominê”,, que vem simbolizar a vitória alcançada por eles.




Baile de Máscaras
(Fernando Canto)

As máscaras, na Festa de São Tiago, são usadas no Baile de Máscaras, que ocorre no dia 24 de julho, e é um dos aspectos ritualísticos mais importantes, por simbolizar  emoções e cenas de regozinho a vitória que os mouros julgavam ter obtidos sobre os cristãos. O baile ocorre após terem oferecido comida envenenada aos cristãos, visando dar oportunidade aos que quisessem passar para seu lado.

É um baile de homens onde todos estão fantasiados, mas às mulheres e crianças é proibida a participação.  Eles dançam no sentido inverso ao do relógio até ao amanhecer. Ao meio dia, um personagem mascarado chamado “Bobo Velho” passa três vezes no terrritório cristão e é apedrejado pela assistência, pois se trata de um espião mouro tentando obter informações.  Na cena do “rapto das criancinhas cristãs”, os “Máscaras”, dezenas de atores populares, surgem fantasiados, assustando e arrebatando olhares de medos das crianças que os assistem.

A máscara parece ser uma transferência de energias que tem o sentido de mutação e que transcende o drama. Já o “baile” é uma festa dentro da festa. É uma cena de um drama em que paradoxalmente ocorre a oportunidade de se desregrar (pela ingestão do álcool). Mas é quando se subverte a  realidade constituída, pois a organização social do drama tem seus apelos e sanções: se há noticia de uma outra festa na vila, os “Mascaras” vão até lá e acabam com ela. Fazem respeitar as normas da tradição e tecem críticas à realidade através de um grande boneco mascarado chamado “Judas”, que todo ano muda de nome, conforme o momento histórico e a decisão dos que o confeccionaram.

O “Baile de Máscara” é uma forma de representação do potencial subversivo das festas, não só pela crítica, mas pelo dançar constante na direção inversa ao do ponteiro do relógio, tratando-se de um embuste contínuo com o tempo, quando os brincantes giram e vão se espiralando, afastando o tempo linear e vivendo a direção da memória num tempo mítico, onde os acontecimentos heróicos se repetem pelos rituais.

Culturalmente as máscaras de Mazagão Velho podem ser vistas como um aspecto místico da festa porque traduzem o tempo, a memória e o ritual que organiza a memória, a história e a sobrevivência da sociedade. Assim a cultura da festa se efetiva porque suas crenças, gestos e valores são oriundos de um processo de criação de homens e mulheres, e que são partilhados por todos, por meio de juízos de valor e símbolos.

A utilização da máscara na Festa de São Tiago é de disfarce de aparência e de jogos estratégicos. E para entender melhor esse processo nada como pôr no rosto uma caraça, pois assim cada um assumirá também o papel que subverte e mete medo, e que também diverte, mas, sobretudo, que une e corporifica os valores culturais daquela sociedade. (Publicado no jornal Folha de Mazagão, de 25 de julho de 2011).



Roubo de crianças para compra de armas

No dia 25, dia final das encenações, acontece a representação da batalha final entre Mouros e Cristãos. É a data considerada mais importante para organização, o ponto alto da festa. Na encenação, os cristãos usam  indumentárias brancas, enquanto os Mouros vestem uniformes vermelhos.

De acordo com o enredo histórico, muitos soldados e oficiais mouros morreram envenenados depois da ação dos cristãos no Baile das Máscaras, entre eles o rei Caldeira. O exército muçulmano estava enfraquecido. O falecido rei caldeira fora substituído pelo filho, o Caldeirinha, sagrado líder dos mouros, apesar de ainda ser criança.

A história conta ainda que depois de crescer e começar de fato a comandar os mouros, ordenou que seus soldados roubassem crianças cristãs que curiosas, foram facilmente capturadas. Depois do êxito do plano as crianças foram vendidas e, com o dinheiro os mouros compraram armas e munição., para aumentar seu poder bélico. As crianças que assistem ao espetáculo são apanhadas simbolicamente pelos mascarados, mas tudo como uma brincadeira para não assustá-las, já que os pais ou responsáveis podem “resgatá-las” das mãos dos atores fantasiados com um pedaço de papel, simbolizando a compra que consta na lenda. Assim, sem querer, os pais passam a ser os compradores de seus próprios filhos.



Passagem do Bobo Velho e morte do Atalaia

O roubo das crianças iniciou uma sangrenta batalha, que foi amenizada ao meio dia. Foi quando os mouros enviaram um espião par ao acampamento dos cristãos: o “Bobo Velho”. No entanto, os cristãos perceberam a presença do intruso e o expulsaram atirando-lhes paus, pedras e outros objetos que encontravam pelo chão.

Na encenação mazaganense, um cavalheiro vestido com roupa grossa e capacete cavalga três vezes pelas ruas da cidade e o público pôde atirar bagaço de laranja para reproduzir a apedrejamento dos cristãos. Mas nem sempre essa regra é seguida ao é da letra e há registros de ferimentos causados por pedradas no figurante que faz o papel de Bobo Velho.

Ainda, segundo a epopéia, os seguidores de Cristo também enviaram um espião para as trincheiras mouras: o Atalaia. Ele conseguiu arrebatar a bandeira inimiga, mas foi descoberto e atirado pelos soldados inimigos. Mesmo ferido gravemente, o atalaia conseguiu se aproximar do aquartelamento cristão, para onde atirou o estandarte do povo inimigo. Em represália, os mouros o decapitaram e colocaram a cabeça na ponta de uma lança para intimidar os cristãos. O fim do Atalaia também  é encenado na frente da Igreja, com a morte cênica de um figurante.



Aparição de São Tiago e a vitória cristã

O próximo episódio da tradição é a proposta do rei Caldeirinha de trocar o corpo do Atalaia pela bandeira moura. Os cristãos aceitaram a proposta. Porém, receberam o corpo  de seu soldado, mas não entregaram a bandeira inimiga, como acertado. Os combates recomeçaram com essa atitude, desta vez com mais intensidade. O guerreiro Tiago jurou a Deus que venceria a guerra para que a palavra do Senhor fosse obedecida:

“Juro pela cruz da minha espada, que se não vencer essa batalha, serei morto e degolado”, são as palavras do figurante para dar vida ao juramento.

Ao anoitecer, o exército de Cristo pediu a Deus para tornar o dia mais longo e, sgundo a lenda, foi atendido. Foi quando São Tiago apareceu e ajudou os cristãos a vencerem sucessivas batalhas, com ajuda daquele que era, até então, um guerreiro desconhecido. As tropas mouras foram perecendo e, por fim, o rei Caldeirinha foi capturado e seus soldados fugiram do front. Era a consolidação da vitória cristã, comemorada com a dança do Vominê pelos soldados aliados.

Todos estes fatos são minuciosamente reproduzidos no ultimo dia de festa, marcando fim da representação da Batalha e da parte religiosa da Festa de São Tiago.


“Vominê”, a Dança da Vitória

Adendo forte do folclore da festa, o Vominê é a dança que reproduz a comemoração da supremacia dos cristãos após a consolidação da vitória sobre os mouros. Durante os 12 dias da festividade é dançado em residências de famílias tradicionais de Mazagão Velho por volta de cinco horas da manhã, nas alvoradas festivas sempre acompanhadas por salvas de tiro. À tarde é a vez das crianças participarem  da dança.

Como forma de agradecimento, a família anfitriã oferece um lanche, quase sempre biscoito com suco ou café para as crianças e abstêmios e também, em alguns casos, bebida alcoólica para os dançantes adultos. Uma dessas bebidas é a gengibirra, um tipo de batida feita com gengibre – também servida na dança do Marabaixo, em Macapá. Aliás, as semelhanças com a dança tradicional da capital são muitas.

No Vominê, a exemplo do Marabaixo, o som da caixa comanda o ritmo da melodia que serve de plano de fundo para letras.  Na verdade, rimas feitas de improviso, uma espécie de repente amazônico, com um refrão que poderia ser descrito como um som sustenido da vogal  “e”. No caso da canção mazaganense, quase há referencia ao dono da casa onde está sendo feito o ritual:

“Cadê o dono da casa,
Com ele eu quero falar.
Estou com a garganta seca
Um café e uma cachaça eu quero tomar”

Esta, acima, é um dos repentes, que em Macapá chamamos de “Verso ladrão”.

As ladainhas, as salvas de tiro, as alvoradas festivas e o Vominê ns residências da vila são os traços mais importantes da Festa de São Tiago, e durante oito dias são símbolos que antecedem o ponto máximo da festa: a encenação teatral da batalha entre mouros e cristãos dividida entre os dias 24 e 25 de julho. (Publicado no jornal Folha de Mazagão, de 25 de julho de 2011).


Missa campal, procissão e presenças ilustres

Na manhã de 25 de julho, o que se vê são milhares de pessoas na procissão e na Rua Senador Flexa, que passa na frente da igreja. São os visitantes, a renovar a fé ou para ver a encenação. A procissão acontece por volta das 8h, depois da missa campal. Assim as imagens de São Jorge e São Tiago percorrem  as principais ruas de Mazagão Velho, com os cavalheiros vestidos a caráter e montados em seus cavalos. Nesse momento os fiéis aproveitam para agradecer e/ou fazer suas promessas a São Tiago.

A festa é tão concorrida que chega a faltar hospedagem, nada que a hospitalidade mazaganense não resolva.


Uma festa só para as crianças

Depois do dia 25 de julho, quando encerra a Festa de São Tiago feita pelos adultos, é hora das crianças aprenderem a tradição que um dia será responsabilidade delas perpetuarem. Durante os dias 27 e 28 de julho, respectivamente elas também encenam a entrega dos resentes e a batalha entre mouros e cristãos, “ montadas” em cavalinhos enfeitados com papel de seda e feitos de miriti, madeira comum na região. Também há a alvorada festiva e a dança do Vominê, enfim, tudo o que os adultos fazem.

A Festa de São Tiago Mirim também tem direito aos  uniformes brancos e vermelhos do smouros e cristãos. E a tradição é levada a sério pelas crianças, mesmo quando há a preocupação dos pais com que elas aprendam desde cedo a respeitar a figura de São Tiago.