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terça-feira, 26 de agosto de 2014

O POÇO DO MATO

1908 - Poço do Mato, em Macapá. Foto: A. Fidanza

O Poço do Mato localiza-se no meio da Avenida Padre Manoel da Nóbrega, no centro da cidade de Macapá, entre as ruas General Rondon e São José, atrás do terreno da CAESA (Companhia de Águas e Esgoto do Amapá).  

Foi declarado Monumento de interesse cultural do município de Macapá, através do Projeto de Lei nº 037/93, da Câmara de Vereadores de Macapá.
Construído em 1864 para fornecer água aos moradores do antigo bairro do Laguinho, o Poço do Mato tornou-se uma verdadeira fonte de imaginação e fatos folclóricos para os macapaenses.

O primeiro Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Macapá, coletava água do velho Poço do Mato, que apesar de antigo, tinha água pura e límpida.


Esta foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará",pertence à resenha dos 8 anos do governo Augusto Montenegro, no Pará. Além do relato histórico, o importante documento possui muitas fotos da época, que foram feitas pelo excelente fotógrafo Fidanza, em 1908.

2014 - Poço do Mato - Macapá

domingo, 24 de agosto de 2014

MUSEU HISTORICO JOAQUIM CAETANO DA SILVA

Painel sobre o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva - 
Foto do jornalista Elton Tavares (2009)

Tem sua origem ligada ao exinto Museu Territorial, criado pelo então governador Janary Gentil Nunes em 25 de janeiro de 1948, após a extinção do Museu Territorial nesta mesma data.

            Em 1974, o governador José Lisboa Freire vinculou o Museu Industrial, que funcionava na Avenida FAB, entre Jovino Dinoá e Leopoldo Machado, ao Museu Joaquim Caetano da Silva, com atuação nas ciências naturais e humanas. Como houve maior desenvolvimento na área de Ciências Naturais, em 4 de maio de 1988 o governador Jorge Nova da Costa  extinguiu o Museu Histórico e Cientifico do Amapá Joaquim Caetano da Silva e criou o Museu de Plantas Medicinais Waldemiro de Oliveira Gomes.

            Mas em 16 de novembro de 1990 o Museu Histórico e Cientifico do Amapá Joaquim Caetano da Silva foi reativado pelo então governador José Gilton Pinto Garcia, destinando, como sede própria e definitiva,  o prédio da antiga Intendência. O Museu funcionou neste local, de 21 de maio de 1993 a 26 de junho de 1998, quando foi transferido para a Fortaleza de São José de Macapá, pois o prédio da antiga Intendência estava em obras. Tentou-se uma nova nomenclatura: “Fundação Museu Fortaleza de São José de Macapá, mas não vingou, e o Museu  Joaquim Caetano voltou a ter autonomia própria, mesmo funcionando nas dependências da fortificação.


            Restauração do prédio

            Enquanto a instituição funcionava provisoriamente nas dependências da Fortaleza de São José de Macapá, o prédio do Museu foi restaurado. A proposta de restauração foi precedida de pesquisa histórica e iconográfica, bem como auxiliada pelas prospecções realizadas no próprio monumento, que nortearam as decisões de projeto e obras, observando seu estado de conservação e preservação e o tratamento relativo aos elementos que foram perdidos ou modificados ao longo dos anos, evitando falsas evidências históricas e estéticas.

            Foram realizadas prospecções que indicaram a presença de óculos originais à edificação, configurados pela presença de manilha cerâmica em boas condições de recuperação. O piso e sua estrutura de apoio, dispostos sobre aterra, apresentavam-se completamente comprometidos pela ação de cupins e umidade proveniente do contato com o terreno. Após a  limpeza e remoção do aterro, foram encontrados vestígios do piso original do porão em tijoleira. Os salões do prédio receberam tabuado de ipê e na área frontal foi estabelecido o sistema de composição formal e funcional do nível do porão da aeração.

            Foram confeccionadas novas esquadrias em madeira e vidro e gradís, visto que as existentes estavam em péssimo estado de conservação e não eram originais, bem como escadas metálicas para acesso ao porão e área livre posterior. O nível do porão foi rebaixado de forma a obter uma altura mais confortável e apresenta sistema de aeração para evitar a ocorrência de umidade visando atender aos novos usos de laboratório de restauração e reserva técnica.

            Sistemas de iluminação especial para o museu, climatização de ar por aparelhos tipo “Split” e controle interno e monitoramento visual por câmeras de TV foram incorporados ao imóvel para atender aos aspectos de conforto e segurança. O prédio contava apenas com banheiros no nível do porão, os quais foram totalmente reformados, para atendimento do corpo técnico. Para os usuários foi criado um conjunto de banheiros no pavimento térreo, incluindo o de portadores de necessidades especiais. A acessibilidade ao prédio foi ampliada com a introdução de rampas.

            A escolha das cores atentou para o resultado das prospecções pictóricas realizadas no nível da platibanda e frontão de coroamento do prédio, as quais mantinham o reboco original. As diversas camadas de pinturas que foram sobrepostas ao longo dos anos encobriam as cores originais, que eram em tons de ocre. A restauração dos elementos decorativos em louça (esculturas, pinhas, vasos) foi realizada por técnicos restauradores do próprio museu. As peças encontravam-se em péssimo estado de conservação e após longo processo de intervenção, esses elementos foram restabelecidos em seus locais de origem.

            Em geral, todos os elementos introduzidos na restauração atendem ao critério de reversibilidade das intervenções de forma a não comprometer intervenções futuras e ao mesmo tempo apresentar linguagem contemporânea, mas em harmonia às estruturas originais.

            Tempos atuais

            Atualmente o museu está funcionando no seu prédio definitivo. A edificação que hoje abriga o Museu Histórico do Amapá Joaquim Caetano da Silva é orgulhosamente devolvida à sociedade, configurando-se como um espaço para a salvaguarda e difusão da história social e política de constituição do Estado do Amapá. Assim, os salões nobres do monumento forma destinados aos espaços expositivos para a difusão do acervo arqueológico  no Amapá e na constituição da memória social, histórica e cultural do Estado. O corredor central abriga a exposição que conta a trajetória do Museu e da própria edificação, inclusive do processo restaurativo.

            Foi criado um espaço multiuso para as atividades de difusão e educação que permite atender até 30 usuários de uma só vez, bem como a organização da biblioteca e o atendimento de público, além do setor administrativo, totalmente equipados e mobiliados. No nível do porão encontram-se a reserva técnica e o laboratório de restauração.

            A área posterior foi trabalhada de forma a ser um espaço de convivência e integração do Museu com a sociedade, com o estabelecimento de área de contemplação, paisagismo e deck de madeira, além da construção de  lanchonete, sala de museografia e guarita de segurança e controle do acesso.  Esse monumento representativo da arquitetura e da história cultural do Amapá é testemunho vivo do crescimento, luta e constituição da identidade e memória coletiva, que abrange o vasto patrimônio material, natural e imaterial amapaense.


            A recuperação física do imóvel se soma aos restabelecimentos de um Museu cuja trajetória e função se pauta na pesquisa e difusão dos saberes, da história e preservação cultural do Amapá, no atendimento e utilização e função cultural e social, de forma ampla, plural e democrática.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

GRUPO PILÃO



Grupo musical pioneiro no uso e valorização da cultura regional do Amapá. Criado em Macapá em 26 de setembro de 1975, por ocasião da realização do 5º Festival da Canção Amapaense, na ocasião em que defendeu a música Geofobia, de Fernando Canto e Jorge Monteiro, usando um pilão como instrumento musical.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

FESTA DE S. JOAQUIM NOCURIAÚ


A 8 km de Macapá, ao norte, situa-se a localidade de Curiaú, um povoado habitado por cerca de 300 negros, remanescentes de escravos, que ali, originalmente formaram um quilombo para refugiarem-se dos maus tratos a que eram forçados na época da construção da bi­centenária Fortaleza de São José de Macapá, na segunda metade do século XVIII. Há dois núcleos, distantes cerca de 1 km, com as denominações: Curiaú de Dentro e Curiaú de Fora. Ambos vivem de uma cultura de subsistência, através do extrativismo vegetal e animal bem como da produção de diversos cultivos agrícolas e da pecuária. A farinha de mandioca ali produzida é famosa e considerada a mais gostosa das redondezas.

O Curiaú de Dentro, se caracteriza pela exuberância de um grande lago natural. A bonita paisagem com nuances de verde contrasta com os búfalos e com a plumagem das variadas espécies de aves que dele fazem seu habitat. Na época das chuvas o lago fica cheio como um grande lençol verde. No verão ele seca, ficando somente um igarapé de água corrente onde banhistas para lá se dirigem nos fins de semana e feriados. Já no Curiaú de Fora, a beleza é marcada pela vegetação típica do cerrado, tendo ao seu redor várias “ilhas” de mato em forma circular.

Apesar da aparência das construções, a Vila do Curiaú não é, como se pensa, uma sociedade primitiva, mas sim um lugar politicamente organizado. Seus habitantes são profundamente devotos de várias imagens católicas e tradicionalmente as festejam com fé e veneração.

No Curiaú de Dentro comemora-se São Sebastião, em janeiro, e Santo Antônio, em setembro
No Curiaú de Fora festeja-se Santa Maria, em maio (quando é dançado o Marabaixo), São Tomé, em dezembro, e São Joaquim, o padroeiro dos dois núcleos, no mês de agosto.

Em todas as festas, com exceção da de Santa Maria, após a ladainha, dança-se o Batuque, a grande expressão de origem africana dos habitantes do lugar. Entretanto, é na Festa de São Joaquim que existem aspectos mais interessantes. É a única em que ocorre a Folia.



A Folia e a Ladainha - No dia 09 de agosto, à noite, iniciam-se as festividades de São Joaquim, quando os rezadores e músicos convocam os devotos para irem à Igreja para rezarem a ladainha.

Oh, devoto vamos rezar
A ladainha do Senhor (Bis)
Ai, vamos nós todos adorar
É o sagrado resplendor (Bis)

Ai, eu chamei todos os devotos
Ai, já são horas de obrigação (etc)...

A convocação dos fiéis, feita através da folia, dura cerca de quinze minutos, é realizada pelo Mestre-Sala, e acompanhada por instrumentos específicos do ritual. A campa (pequeno sino) é tocada pelo Mestre-Sala, quando situado entre os dois porta-bandeiras, faz com esse instrumento a marcação do ritmo.
O tambor, comprido e leve, feito de madeira e couro de sucurijú (espécie de cobra da região) também faz a marcação da folia. Os outros dois pandeiros são confeccionados com madeira do cacau e pele de carneiro ou bode.
Duas tabocas fechadas nas extremidades, com sementes dentro, exercem a função de xique-xiques, quatro reco-recos que também são feitos de taboca, onde o tocador passa uma vareta sobre os gomos escavados nela para provocar o som.  Por fim duas violas de cinco cordas fazem o acompanhamento das melodias. Todos os dias, durante a Festa, ocorrem a Folia e a Ladainha. Esta é rezada em latim (com uma entonação de voz toda especial), pelo Mestre-Sala e seu ajudante e respondida em coro pelos assistentes.
O Mestre-Sala é o condutor espiritual da comunidade, pois no Curiaú não existe paróquia ligada à Diocese de Macapá. Após a ladainha, recomeça a Folia. Nessa ocasião todos os devotos devem obediência ao Mestre-Sala. Ele comanda todo o ritual sempre com uma toalha em volta do pescoço. Se achar que um dos devotos não se comportou bem, em relação às suas obrigações religiosas, no dia em que comparecer à Folia terá que “pagar prenda”. Essa prenda consiste em ter que rezar orações ajoelhado e encoberto com as bandeiras do Santo. Assim que ele termina de rezar os foliões dão sinal nos instrumentos.
Terminada a Folia os devoto demonstram sua fé cantando:

“Da cepa nasceu a palma
Da palma nasceu a flor
Aí, nasceu flor, nasceu São Joaquim
Que é para o nosso Redentor

Estão rezadas, rezadas
Estão completas as orações
Ai, tem os anjos por companhia
Ai, quem rezou com devoção (etc)...



O mastro - O mastro da Festa de São Joaquim também existe há mais de um século. Foi feito da árvore de Jacaraúba e todo ano é repintado e levantado. Sua pintura é feita de branco e de listas em espirais azuis. O levantamento do mastro é feito no dia 14 de agosto, e até o término da festa é hasteada a bandeira branca onde está bordada a coroa do Santo.
Todo o processo da Festa de São Joaquim tem características religiosas e profanas. As ladainhas, a procissão e a folia retratam com profundidade a devoção e a fé que os habitantes do Curiaú tem para com seus santos. Por outro lado o Batuque demonstra intensamente as raízes africanas estabelecidas aqui durante o Brasil Colonial, onde o canto negro revolve o espírito de luta e o desejo imenso de ser libertado. Há também bailes populares, antes tocados com instrumentos de pau e corda mas que nos últimos anos foram substituídos por aparelhagens de som mecânico.



O Batuque -  O batuque do Curiaú começa logo após a Folia. É uma das manifestações de dança mais expressivas encontradas no Amapá. O ritmo estonteante dos seculares tambores chamados de “macacos” (porque são feitos do tronco de macacaueiro e de couro de animais) espalham-se pelo salão do centro comunitário do Curiaú de Fora.
Antes, porém, é preparada uma fogueira que fica permanentemente acesa com a missão de esquentar o couro dos instrumentos. São dois os “macaco”: um de repenicar e outro de marcar o ritmo chamado amassador. Cada um deles tem a forma cônica e mede cerca de um metro de comprimento.
Existem também três pandeiros confeccionados há muitos anos com a madeira do cacaueiro e de couro de carneiro ou de sucuriju, que fazem parte do ritmo quente do batuque. Os batuqueiros tocam os tambores sentados sobre os seus respectivos "macaco" e que ficam superpostos num tarugo do acapú.
Os cantadores (solistas) e os tocadores de pandeiro ficam juntos no centro do salão, enquanto os dançadores fazem rápidas evoluções sobre si mesmos e ao redor dos batuqueiros, sempre no sentido inverso ao do relógio.

Ê, ê, São Joaquim
Ê, ê, São Joaquim
Na hora da morte
Reza por mim.

Inda não dançou
Inda não dançou
Essa moça bonita
Inda não dançou

Na dança, sob o som do Batuque, entram homens, mulheres e crianças. Quando o ritmo se intensifica forma-se um espetáculo sem igual: as saias rodadas e coloridas das mulheres tomam conta do salão quando fazem evolução. Os gritos e a queda de corpo que os homens experimentam também cobrem os movimentos da dança. Todos os que assistem podem dançar e participar da Festa.




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

FESTA DA PIEDADE EM IGARAPÉ DO LAGO


A Vila de Igarapé do Lago, situada a 85 Km em direção Oeste de Macapá --  atualmente pertencente ao município de Santana -- com uma população de aproximadamente 500 habitantes, é um lugar aprazível, caracterizado por uma bela paisagem natural, onde os principais elementos são os campos, os lagos que se formam durante o inverno e os igarapés, margeados pela flora exótica da Amazônia. O povo desse lugar é profundamente religioso e possui uma grande devoção a Nossa Senhora da Piedade, por isso, anualmente realiza uma festa em sua homenagem que começa nos fins de junho e termina no início de julho.



A tradição da festa da Mãe de Deus da Piedade teve sua origem no início deste século, introduzida por Belmiro Machado de Medina, que durante 50 anos liderou a organização dos festejos, formou e incentivou grupos de foliões. Grande parte da população de Igarapé do Lago herdou de seus antepassados escravos o gosto pela dança e pelo batuque, mas sem esquecer, contudo, que o lado profano não poderia existir sem o sentido religioso que é dado por ocasião da Festa. Toda ela possui uma estrutura ritualística uniforme e respeitada pelos moradores. O corte do mastro, as novenas, a missa, os bailes populares, a “Procissão da Meia-Lua”, a procissão fluvial com a imagem da Santa em peregrinação pelas localidades vizinhas, a procissão pelas ruas da Vila e o Batuque, que é o ponto culminante da Festa, são características que refletem a certeza de sua beleza na mistura mágica das raças e no comportamento devoto desse povo humilde e rico de sentimentos religiosos.


            Sendo o Batuque o ponto principal da Festa, o ápice do aspecto profano, tem ele uma estrutura significativa e interessante. O morador mais antigo é chamado de “Mantenedor”, ou seja, o mestre da disciplina, o folião que dirige o grupo e o cantador oficial. Ele usa uma toalha branca no ombro esquerdo e uma estola da mesma cor tendo nas pontas cruzes em azul. Quando ela é colocada em volta do pescoço o Batuque deve começar, quando retirada, tudo para. É o “Mantenedor”, também, que estabelece pena aos foliões que não cumpriram alguma obrigação para com Nossa Senhora da Piedade. A pena consiste em anunciar-lhes o nome e ordená-los que rezem orações à Santa ajoelhados sobre uma pedra pontiaguda pintada de branco. O Estandarte branco contendo a imagem da Santa desenhada em azul é levado, durante a procissão, por um dos mais antigos moradores. Seu mastro é enfeitado de plantas e fitas e segue fazendo evoluções seguido pela “Labada”, que é uma cruz branca de 2 metros de altura e representa a fé em Cristo e Maria.



            Quarenta mulheres, tornadas “Escravas Devotas” de Nossa Senhora da Piedade são as “Bailantes” que dançam durante o Batuque segurando a barra da saia, dando voltas e cantando o coro das músicas tiradas pelo cantador. O cargo das “Bailantes” é vitalício e no caso de morte só pode haver substituição depois de uma análise da diretoria da festa, que normalmente aceita a pretendente que tenha parentesco com a falecida. A maioria dos instrumentos usados no Batuque são rústicos e fabricados por elementos da comunidade, alguns, entretanto, existem há dezenas de anos.



São três os tambores. O Cupiuba é o maior deles, sua função é fazer a marcação do Batuque. Tem cerca de um metro de comprimento, forma cônica e é feito da árvore chamada cupiubeira. O Macacaúba, um pouco menor, semelhante aos outros é feito da árvore do mesmo nome. Há também o Cajuna, o menor deles, que com o Macacaúba são utilizados durante a procissão. Um tipo de ganzá, chamado Taboqueira, feito de gomos de taboca - espécie de bambu - contendo por dentro grãos de milho e tentos (sementes) também é usado no Batuque.

O rapador é outro instrumento feito de taboca e possui gomos escavados por fora onde o tocador provoca o som passando uma vareta sobre eles. Os pandeiros são confeccionados com tiras de árvores, tampinhas de lata e couro de animais.

As violas, violões, cavaquinhos e clarinetes são adquiridos em lojas especializadas em instrumentos musicais. Quando se tocam os tambores, um pedaço de pau de acapu (tarugo) chamado rolete, é utilizado para sustentá-los no chão, inclinando-os para dar maior comodidade aos tocadores que ficam montados sobre eles. O traje das mulheres consiste em saias longas, rodadas e coloridas. Usam blusas estampadas e flores na cabeça como adorno. Dos homens, apenas o “Mantenedor” usa camisa e calças brancas.

Tradicionalmente o grupo de foliões começa o Batuque sob a fronde de urna árvore chamada Esponjeira, plantada na entrada da Vila, por membros das famílias Macedo e Luz. A esponjeira possui tronco grosso e copa ampla, assemelhando-se a um cogumelo gigante.

O primeiro canto da Festa é feito em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, tirado pelo “Mantenedor”. Esse canto chama-se “Andou”. Depois prestam homenagem aos moradores mais antigos da localidade. Muitas músicas são antigas e outras são tiradas de improviso, tendo como base os fatos que ocorrem dentro da comunidade. O “Mantenedor” tira os versos e é acompanhado pelo coro das “Bailantes” que diz:

“Fui passear com a sereia / Bicho  do fundo levou
Corre sangue pela veia / Meu coração deixa flor (Bis)

Desenvolvimento dos festejos - O dia 24 de julho começa com uma alvorada festiva às 5 horas da manhã, seguindo-se o corte do Mastro e o assentamento deste à tarde, a primeira novena e o primeiro Batuque, iniciado às 21 horas. Do dia 25 a 28 prosseguem as novenas conforme o ritual. A partir do dia seguinte, a imagem da Santa é levada até a localidade de Jaruba, acompanhada por foliões, dando início à peregrinação. Às 17 horas fazem pernoite na Vila dos Bois, com cerimônia e novena.
No dia 30 a peregrinação prossegue e há pernoite no lugar chamado Camaleão, também com cerimônia e novena. Dia 1º de julho a Imagem da Santa e os foliões chegam ao trapiche da Vila e são festivamente recepcionados pela comunidade. Depois, em procissão, deslocam-se até a Igreja local onde fazem as cerimônias religiosas tradicionais.

No dia seguinte ocorre outra alvorada festiva às 5 horas da manhã e o vigário regional celebra a missa às 8 horas. Mais tarde acontece um fato de rara beleza: é a peregrinação com a Imagem da Santa em romaria a todos os lares do povoado, simbolizando a fiel adoração que os moradores têm por Nossa Senhora da Piedade. À noite há novena e a seguir um baile popular.

No dia 3 de julho em outra alvorada festiva, inicia-se a uma pequena feira com venda de produtos agrícolas como farinha de mandioca, milho, batata, frutas cítricas e artesanato. Às 11 horas fazem a exibição da “Procissão da Meia Lua” no Igarapé que banha a Vila. Às 14 horas começa a grande apresentação do Batuque que é o ponto máximo da Festa. Às 20 horas ocorre o baile de encerramento e à meia-noite há o esperado espetáculo pirotécnico. Além do que consta na programação oficial do dia 3 de julho o visitante poderá entreter-se em passeios de barco pelo belíssimo igarapé, pescar, andar a cavalo pelos campos que circundam a Vila, tendo a oportunidade de um contato maravilhoso com a paisagem natural de localidade.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

CRENDICES E SUPERSTIÇÕES

      

Água
Existem alguma crendices relacionadas com a água. Vejamos algumas  das mais conhecidas: Para que alguém seja nosso amigo, devemos dar-lhe de beber água coada em uma de nossas camisas; Dar de beber água de chocalho a um bebê faz com que ele fale mais cedo.

            Algodoeiro
Há uma crendice de que a moça que brinca com as flores do algodoeiro, sé é bonita de noite. Motivo: essas flores só desabrocham no período noturno.

           
            Alho
Diz a crendice popular que o alho tem poder para afastar duendes e espíritos maus que se incorporam às pessoas. Muito usado contra os botos, lobisomens etc. Serve também para qualificar alguém de sabido. Ex: “Eliana é esperta como o alho”.

            Canto do Acauá
            Na mitologia amazônica, o Acauã (Ver Fauna Amapaense) é considerado portador de azar. O Canto do Acauã é uma expressão que traduz azar. Quando nada dá certo para alguém, diz-se: “Parece que ele ouviu o canto da acauã”. O canto se assemelha a uma risada que, segundo a superstição, dá desequilíbrio nervoso em quem o ouve, principalmente se for mulher. O acua é um pequeno gavião da família dos falcanídeos (Herpetotheres cachinians).
           
            Pé-de-pato
Espírito do mal, demônio; ente maligno.

            Póe-mesa.
Inseto (Stagmatoptera precária), conhecido no sul do país por Louva-a-deus. Sua presença é indício de bom agouro. Significa promessa, esperança, noticia agradável, que vem por aí. A velha aspiração de saber-se o sexo da criança por nascer é resolvida pela crendice do povo em torno do põe-mesa. Assim, quando se tem grávida em casa, a coisa mais fácil, para antecipar se o bebê será menino ou menina, é apelar para o concurso da saltitante visita. Segura-se o inseto e dá-se-lhe um sopro; se apenas move as pernas dianteiras, e mulher; se grimpa e tenta saltar sobre as pessoas, é homem. [1]

Urubu.
Existe uma crendice amazônica, bastante difundida entre as populações ribeirinhas do Amapá, de que o urubu não pode ser abatido no ar por arma de fogo. Quem o fizer, pode sofrer o castigo de ficar abobalhado (biricica) para o resto da vida. A maldição se estenderá também para todos aqueles que fizerem uso da arma de fogo.

Vingança. Chama vingança, as regiões ribeiras da Amazônias, a certas deformidades que trazem os recém-nascidos, os quais vêm como castigo de atos reprováveis praticados, não somente pela gestante, mas por qualquer outra pessoa que lhe seja próximo, ou também, por espanto ou surpresa que aquela tenha experimentado. Assim, se o caçador abater a caça e mutila-la, trazendo-a à presença da mulher grávida, de modo a causar-lhe espanto, a parte mutilada, como as patas, por exemplo, a criança nascerá sem pé ou sem mão, conforme for a dianteira ou a traseira a parte maltratada do animal.[2]



[1] ORICO, Oswaldo, Vocabulário de Crendices da Amazônia.
[2] CANTANHEDE, Antonio, O Amazonas Por Dentro, 1966, Manaus, Amazonas.

domingo, 27 de julho de 2014

CENTRO DE CULTURA NEGRA


O Centro de Cultura Negra foi criado, em Macapá, em 5 de setembro de 1998, com a finalidade de resgatar e preservar o modo de vida, usos e costumes da raça no Amapá. Está localizado em uma quadra do bairro do Laguinho, distinguido como tradicional reduto de afrodescendentes,  de onde se dissemina muito a influ^ncia da raça para outras partes da cidade e do Estado.

A instituição surgiu no rastro da União dos Negros do Amapá (uma), entidade que há alguns anos vinha se esforçando para manter viva a cultura dos descendentes dos escravos africanos que para o Amapá vieram para lides na lavoura, caça, pesca, e principalmente para trabalhar na Fortaleza de São José de Macapá.


O Centro dispõe de salas museus e salas muiti-uso para oferecer, além de realizações como espetáculos musicais e dança, teatro e diversas outras, curso sobre mitologia africana, figurinos afro-braileiros, história do negro no Amapá, cab eleireiro sobre penteado afro-artesanato, linguas e dialetos africanos, história da arte negra, bijuterias africanas e música negra.