quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Lendas: A PEDRA DO GUINDASTE




A Pedra do Guindaste era um monumento localizado em frente à cidade de Macapá, ao lado do Trapiche Eliezer Levy, dentro do Rio Amazonas. Tratava-se de uma pedra muito grande. Sobre ela encontrava-se a imagem de São José abençoando a cidade, feita pelo escultor português Antônio Ferreira da Costa. No século passado, a Pedra do Guindaste teve como finalidade servir de alvo aos exercícios de tiro dos soldados, ao lado norte da Fortaleza de São José. A famosa pedra é conhecida por suas lendas que fazem partem da rica cultura do caboclo amapaense. Uma delas é contada pelos moradores da antiga rua da Praia e Igarapé das mulheres, hoje bairro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Hoje parte dela foi removida pelas erosões do rio Amazonas.

Afirmam existir na pedra uma cobra grande, com dimensões ainda não calculadas e na maré de reponta - ou seja, quando a água do rio não está na cheia e nem na vazante - sai dali para tomar água, de maneira que a água nunca conseguiu cobrir a pedra. Se porventura, alguma autoridade tiver a infelicidade de mandar retirar a pedra do rio, a água do Amazonas subirá tanto, que Macapá toda irá para o fundo.

Outra versão da lenda é que havia na tribo dos Tucujús - primeiro povo habitante dessa terra - uma índia muito bonita, apaixonada por um índio que todas as manhãs saía pela praia em busca de alimento. Quando ele saía, a namorada acompanhava-o até a praia e lá ficavam o dia todo, até o sol pousar na lagoa dos índios, quando o índio voltava, levava-a para a maloca. Isso acontecia todos os dias e começou logo a ser observado pela tribo. Num certo dia, de manhã cedo, como acontecia sempre, o índio desceu o rio pela praia e sua amada ficou à espera no local de sempre, mas aconteceu que ele não voltou. A noite chegou, a índia desesperada ainda o esperava em vão. Acocorou-se e chorou a noite toda, dias e dias, e lá morreu. No lugar de suas lágrimas nasceu a pedra com formato de corpo de mulher, que mais tarde, muitos anos depois passou a ser conhecida como Pedra do Guindaste.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Lendas amazônicas: O PEIXE BOI


Há muito tempo, muito antes da mãe das águas comandar os rios, os animais brigavam pelo domínio da terra. A coruja proclamava sua inteligência; o leão sua majestade; o rinoceronte sua força; o elefante sua memória; o sabiá seus dons de cantor; a cobra seu veneno mortal; o macaco sua agilidade de locomoção.

O boi...bem, o boi por mais que tentasse, não encontrava atributos para pleitear cargo de tamanha importância.

Era desengonçado e lerdo. Seu mugido em nada se assemelhava ao canto do sabiá e em força não se equiparava ao rinoceronte. Também não tinha a memória privilegiada do elefante e seria um insulto achar-se mais sábio que a coruja.

Certo dia, quando se encontrava à beira de um igarapé, o boi viu o reflexo da lua na água e imaginou que fosse um tesouro. Sem pensar duas. vezes, mergulhou para buscá-lo e assim tornar-se rei por sua riqueza. Tupã compadecido de tamanha inocência, o transformou em um peixe preservando também algumas características bovinas.  Assim nasceu o peixe-boi, exemplar magnífico dos rios de água doce o único de sua espécie.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Lendas do Amapá: O PIRARUCU



O pirarucu é um peixe da Amazônia, cujo comprimento pode chegar até 2 metros. Suas escamas são grandes e rígidas o suficiente para serem usadas como lixas de unha, ou como artesanato ou simplesmente vendidas como souvenirs.

A carne do Pirarucu é suave e usada em pratos típicos da nossa região.
Pode também ser preparada de outras maneiras, freqüentemente salgada e exposta ao sol para secar. Se fresca ou seca, a carne do pirarucu é sempre uma delícia em qualquer receita.

Pirarucu era um índio que pertencia a tribo dos Uaiás que habitava as planícies de Lábrea no sudoeste da Amazônia. Ele era um bravo guerreiro, mas tinha um coração perverso, mesmo sendo filho de Pindarô, um homem de bom coração e também chefe da tribo.

Pirarucu era cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Um dia, enquanto seu pai fazia uma visita amigável a tribos vizinhas, Pirarucu se aproveitou da ocasião para tomar como reféns índios da aldeia e executá-los sem nenhum motivo.

Pirarucu também adorava criticar os deuses. Tupã, o deus dos deuses, observou Pirarucu por um longo tempo, até que cansado daquele comportamento, decidiu punir Pirarucu. Tupã chamou Polo e ordenou que ele espalhasse seu mais poderoso relâmpago na área inteira. Ele também chamou Iururaruaçú, a deusa das torrentes, e ordenou que ela provocasse as mais fortes torrentes de chuva sobre Pirarucu, que estava pescando com outros índios as margens do rio Tocantins, não muito longe da aldeia.

O fogo de Tupã foi visto por toda a floresta. Quando Pirarucu percebeu as ondas furiosas do rio e ouviu a voz enraivecida de Tupã, ele somente as ignorou com uma risada e palavras de desprezo. Então Tupã enviou Xandoré, o demônio que odeia os homens, para atirar relâmpagos e trovões sobre Pirarucu, enchendo o ar de luz. Pirarucu tentou escapar, mas enquanto ele corria por entre os galhos das árvores, um relâmpago fulminante enviado por Xandoré acertou o coração do guerreiro que mesmo assim ainda se recusou a pedir perdão.

Todos aqueles que se encontravam com Pirarucu correram para a selva terrivelmente assustados, enquanto o corpo de Pirarucu, ainda vivo, foi levado para as profundezas do rio Tocantins e transformado em um gigante e escuro peixe. Pirarucu desapareceu nas águas e nunca mais retornou, mas por um longo tempo foi o terror da região.




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Lendas do Amapá: O PORAQUÊ



Poraquê era um valente guerreiro de uma tribo às margens do Rio Amazonas. Caçador por excelência, era sempre quem trazia o maior animal durante as festividades da tribo. Também era muito forte, destacando-se dos outros membros da aldeia. Mas Poraquê era ambicioso. Não lhe bastava a destreza do arco e da flecha. Não lhe bastava a força de seus braços e nem mesmo sua supremacia em combate. Ele queria ser o maior guerreiro da face da terra.

Foi assim que tentou dominar o fogo, mas sua força nada valeu contra as labaredas. O índio então quis comandar os rios, mas Iara mandou contra ele a pororoca, que o derrotou. Vencido pela segunda vez, Poraquê subiu em um pé-de-vento e tomou um relâmpago emprestado do deus Trovão. Com ele fez uma borduna com a qual podia invocar os raios.


Certa vez uma tribo indígena atacou a aldeia em uma guerra que durou vários dias. Poraquê, com sua borduna de raios, dizimou milhares de inimigos. Tendo vencido a batalha, notou que a arma estava manchada de sangue e foi lavá-la à beira do Rio Amazonas. Um dos raios caiu na água e o atingiu transformando-o em um peixe feio. É por isso que, quando atacado, o poraquê dispara rajadas elétricas para se proteger.

Joseli Dias

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Lendas do Amapá: POROROCA



        
 
O fenômeno da pororoca ocorre na região Amazônica, principalmente na foz de seu grandioso e mais importante rio, o Amazonas. E formado pela elevação súbita das águas junto à foz, provocada pelo encontro de marés ou de correntes contrárias, como se essas encontrassem um obstáculo que impedisse seu percurso natural.

Quando ultrapassa esse obstáculo, as águas correm rio adentro, com a velocidade de 10 a 15 milhas por hora, subindo uma altura de 3 a 6 metros.

No Estado do Amapá, ele ocorre na ilha do Bailique, na “boca” do Araguarí, no canal do inferno da ilha de Maracá, em diversas partes insulares e com maior intensidade nos meses de janeiro e maio. É, sem dúvida, um dos atrativos turísticos da natureza mais expressivos que, embora temível, torna-se um espetáculo admirável por todos. Consta que Vicente Pinzon e sua tripulação presenciaram o fenômeno pororoca, quando desceram a foz do rio Amazonas e ficaram surpresos com sua grandeza e a beleza ímpar. É sabido que, em janeiro de 1500, a pororoca quase destruiu suas embarcações.

          A pororoca prenuncia a enchente. Alguns minutos antes de chegar há uma calmaria, um momento de silêncio. As aves se aquietam e até o vento parece parar de soprar.

          Antigamente, a água do rio era serena e calma, corria mansamente. As canoas, à vela e a remo, navegavam sem perigo nenhum. A Mãe D’água, mulher do boto Tucuxi, morava com a filha mais velha na baía do Marajó. Certa noite, à hora do jantar, ouviram-se gritos, os cães latiram furiosamente, as galinhas e galos cocoricaram. O que é, o que não é? Tinham roubado “Jacy”, a canoa de estimação da família. Remexeram, procuraram e não encontrando nada, a Mãe D’Água resolveu convocar todos os seus filhos: Repiquete, Correnteza, Rebojo, Remanso, Vazante, Enchente, Preamar, Reponta, Maré Morta e Maré Viva. Ela queria que encalhassem a embarcação desaparecida, no entanto passaram-se várias luas e nenhuma notícia de “Jacy”. Ninguém jamais a viu entrando em algum Igarapé, algum furo ou mesmo atracada em algum lugar.

Certamente estava escondida, mas onde? Então resolveram chamar também os parentes e até os mais longínquos, os Lagos, as Lagoas, Igarapés, Rios, Baías, Sangradouros, Enseadas, Angras, Fontes, Furos, Golfos, Fozes, Canais, Estreitos, Córregos e Peraus, para discutir o caso, surgindo a necessidade de se criar a Pororoca, umas três ou quatro vagas fortes, que entrassem em todos os buracos que houvessem nos arrabaldes, quebrassem, derrubassem, escangalhassem, destruíssem tudo, apanhassem “Jacy” e o ladrão. Ficou determinado que a caçula da Mãe D’Água, Maré de Lua, moça danada, namoradeira, dançadeira e briguenta avisasse sobre qualquer coisa de anormal que acontecesse.

De repente, pela primeira vez, nas sizígias de equinócio, surge em alguns lugares o fenômeno, empurrado pela cunhatã brava, invadindo rios, naufragando barcos, repartindo ilhas, ameaçando palhoças, derrubando árvores, abrindo furos, amedrontando pescadores. E até hoje, sempre que a Maré de Lua vai ver a Màe D'água, é um “Deus nos acuda”, ninguém sabe de “Jacy”, e a cunhatã segue em frente destruindo quem ouse não sair da frente, cumprindo as ordens do Boto Tucuxi que resmungando danado diz: “Pois então continue arrasando tudo”.
E assim a Pororoca continua.



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Lendas do Amapá: O RIO OIAPOQUE



Os índios mais antigos costumam contar a seus filhos e netos, um lenda que aprenderam com seus antepassados. Trata-se do nascimento do Rio Oiapoque. A lenda é a seguinte:

Há muitos e muitos anos, em uma aldeia, o povo passava fome, porque a caça já estava escasseando e as árvores morriam por falta de chuva. Crianças adoeciam e os mais velhos, alquebrados pelas dificuldades, começavam a morrer. Certo dia uma índia grávida chamada Adejací, vendo que seu curumim certamente morreria de fome  se nascesse em meio àquela miséria, resolveu fugir da aldeia e procurar um lugar melhor para que pudesse ter sua cria.

Dias depois, longe de tudo, a indiazinha sentiu saudades do seu povo e começou a chorar. Ainda chorando, pediu à Tupã que a transformasse em uma cobra muito grande e, assim, pudesse andar pelas matas à procura de um local aprazível para construir uma nova aldeia. Tupã, compadecido pelo ato de coragem, fêz o que lhe foi pedido. Por meses, aquela imensa cobra vagou em busca de algum lugar onde houvesse comida e água em abundância. Ela era tão imensa, que por onde passava deixava grandes sulcos na terra.

          Um dia, a índia transformada em cobra, encontrou um vale muito bonito, com muita água, muitas frutas e caças em abundância. Voltou para avisar seus irmãos de tribo sobre o ocorrido. Era tanta sua felicidade, que esqueceu-se de pedir a Tupã que desfizesse o encantamento.         Bem próximo à aldeia, Adejaci sentiu as dores do parto e teve sua cria ali mesmo, na mata. Os índios, vendo aquilo, mataram a criança, imaginando que fosse bruxaria. Adejaci ficou furiosa, mas não quis atacar seus irmãos de tribo. Sentida com a morte do filho, começou a chorar. E era um pranto tão sentido, tão violento, que as lágrimas, em cascatas, preencheram os sulcos deixados por ela, transformando-os em um rio.


          Adejaci não quis mais voltar a ser gente. Mergulhou nas águas e adormeceu no fundo do rio. Os índios garantem que nas noites de lua cheia, nas águas se formam grandes rebojos. É Adejaci, transformada em cobra, suspirando pela falta do filho. Quando ela chora, as águas voltam a subir de tal maneira, que alagam as ilhas próximas. Por isso o lugar é chamado de Oiapoque, que na etimologia indígena significa "Rio da Cobra Grande”, muito embora se tenha a etimologia waiapi, que dá outro significado: “Rio dos Guerreiros”.

domingo, 2 de agosto de 2015

Lendas da Amazônia: OS TAMBORES DO CURIAÚ



O tambor ressoava à noite e era ouvido pelos pacatos moradores da Vila do Curiaú. A mensagem trazida pelo batuque era ininteligível para os negros, na maioria descendentes de africanos, mas que há muito esqueceram o dialeto tamborístico de seus locais de origem. O mesmo não acontecia com preto Tucuim, 101 anos nas costas, pele enrugada, mas corpo firme, uma espécie de líder na comunidade, que silenciava quando ouvia o ribombar dos tambores, como se ali estivesse sendo passada uma mensagem funesta de seus ancestrais. De onde vinha o som não era sabido. De algum ponto da floresta, talvez.

De início, sem compreender a mensagem, Tucuim mandou dez de seus negros à procura do interlocutor, mas por mais que estes se embrenhassem na mata o som parecia vir de cada vez mais longe, bem difícil de braços humanos conseguirem batucar com tamanha violência, e assim fazer a mensagem chegar à aldeia. Sempre à noite, Tucuim metia-se em sua barraca de palha e ficava atento.  O som lhe vinha os ouvidos. Até que uma noite o rosto negro empalideceu e muitas rugas vieram se unir à primeira, demonstrando preocupação e terror. Tucuim entendia. Uma providência urgente precisaria ser tomada, agora, todas as noites, o batuque não era mais de tambor. Para Tucuim, era uma voz que previa desgraça e mortes na pequena aldeia, caso suas determinações não fossem cumpridas.

 Por dias Tucuim manteve-se pensativo, preocupado. Finalmente o negro levantou-se da rede, puxou uma longa baforada no cachimbo e reuniu a tribo. Airá, seu filho, foi ter com ele, para saber o porquê da ordem de sacrificar um boi para ser queimado em holocausto sem que os membros da aldeia, que vinham sofrendo fome, pudessem usufruir da carne. Tucuim pronunciou poucas palavras, mas que aterrorizaram o jovem.

- Meu filho, antes um boi com seu sangue e cabeça, que a morte do povo, mulheres e crianças. Seja feita a minha vontade e da deusa Taimã!
Tucuim sabia. Sabia e estava preocupado, profundamente preocupado. À noite todo o povo se pintou com sumo de tucumã e bacaba. Uma das três vacas que proviam de leite a aldeia foi colocada em um altar feito com grossas toras de árvores. Antes que o sacrifício fosse feito, ouviu-se a voz de Tucuim, profundamente amargurada.

- Meus irmãos, meus filhos, uma grande desgraça veio se abater sobre nós. Eis que nosso povo esqueceu seus costumes e já não venera seus deuses. No tambor, que quase todos ouvem na mudança da lua, a deusa Taimã, que muito ajudou nossos ancestrais, diz: “Ó povo de Curiaú. Ó desgraçados, vocês esqueceram de suas origens e agora adoram outros deuses. Eis que minha ira cairá sobre vós. Na primeira lua cheia a aldeia será banhada em sangue. Serão muitos os mortos e nesse dia as mães chorarão seus filhos. Mas, ah, povo desgraçado, ainda há uma chance de evitar esse mal. Um dia antes da lua cheia, todos os primogênitos deverão ser levados para o centro da floresta e deixados sem pão e água. Eu os trarei para meu reino e minha ira será aplacada. Tucuim continuou:

- Meus irmãos, o boi que será apresentado em holocausto vai junto com muitas orações minhas, na tentativa de aplacar a sede de deusa Taimã. Todos devem dançar e orar esta noite, pedindo misericórdia, para que muitos dos nossos não sejam sacrificados.

E durante toda a noite os tambores voltaram a falar. Tucuim se desesperou. Que seria da aldeia sem as crianças? Sem continuidade de espécie em breve não existiria mais o Curiaú. A vingança da deusa seria tremenda.

Durante toda a noite Tucuim meditou e pela manhã anunciou ao povo que iria à floresta e se apresentaria como sacrifício. Naquele dia todos choraram por seu destino. Tucuim não levou nem pão nem água, mas somente a bolsa com fumo para esperar a morte certa. Seguiu para a floresta, onde permaneceria por três dias. No segundo dia acendeu uma fogueira para se aquecer e viu que do fogo saía uma fumaça negra, de incenso e enxofre. A deusa personificou-se diante de seus olhos. Majestosamente dirigiu-se ao negro:

- Tucuim, meu servo fiel desde o início dos tempos, como foram seus ancestrais. Por que te sacrificas por um povo que não merece?

- Minha deusa, não posso deixar as crianças perecerem. Leva meu corpo e assim aplacarás tua ira, mas deixa meu povo em paz.

- Volta para tua aldeia, Tucuim. Teu povo está salvo. Neste momento todos clamam por perdão. Com tua sabedoria conseguistes converte-los novamente a mim. Vá em paz. De hoje em diante não haverá mais fome. E que ninguém esqueça das minhas palavras.

E assim Curiaú foi salvo. Hoje, décadas depois, ainda não se ouviu o tambor da morte proclamando a ira da deusa negra, pois a história, passada de pai para filho, faz com que todos os descendente africanos ali existentes sigam fielmente os mandamentos e venerem seus deuses.


(Texto de Joseli Dias)