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sábado, 11 de outubro de 2014

OS 80 ANOS DO CIRIO DE NAZARÉ EM MACAPÁ



A primeira procissão do Círio de Nazaré realizada em Macapá aconteceu em 1934, quando as religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, ao comando da senhora Éster Benoniel Levy, esposa do então prefeito de Macapá, major Moisés Eliezer Levy. A pesar da cidade já ter seu padroeiro, São José, cuja festa é realizada  todo dia 19 de março, a concentração de romeiros do Círio de Nazaré em Macapá consegue ultrapassar, em volume de massa, os penitentes do próprio padroeiro São José, crescendo a cada ano o número de fiéis.
No Estado ele segue a tradição do Pará, sendo realizada a festa sempre no segundo domingo de outubro. Apesar do grande número de romeiros em Macapá, o Círio é uma festa de paraenses. A presença da Virgem andando pelas ruas de Macapá nesse período, é justificável historicamente. É que Macapá pertencia, juntamente com Mazagão, ao Estado do Pará até 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá. A confecção da indumentária da santa foi, por alguns anos, obras de uma devota fiel, de nome Raimunda Mendes Coutinho, educadora da fase territorial do Amapá, já falecida, e conhecida popularmente por Dona Guita. Mas a exemplo das religiosas da congregação fundada pelo padre Júlio Maria Lombaerde, várias outras congregações como Religiosas de Maria Menina (Bartoloméa), não mediram esforços para que a maior festa religiosa do Estado tivesse, ao longos dos tempos, um colorido maior.

História do Círio



A devoção a Nossa Senhora de Nazaré data, no Pará, dos tempos coloniais. Rezam as crônicas que um homem pardo, de nome Plácido, pescador de profissão, encontrou, em um taperebazeiro, no meio da mata, uma pequenina imagem da Virgem de Nazaré. Levou-a à sua casa, fez-lhe um altar, conseguiu muitos devotos e em breve a residência humilde do pescador passou a ser local obrigatório da presença dos católicos dos primeiros anos de Belém.  Mas como é comum, a lenda se mistura com a história: diz ela que Plácido levou a imagem para sua casa; e no dia seguinte não a encontrou onde a havia deixado: tin ha desaparecido. Voltando a vagar pelo mato, achou-a no mesmo galho do taperebazeiro. E por várias vezes a imagem desapareceu de sua casa, para retornar ao lugar de origem. Ali, então, erigiu o pescador uma capela, dando início à devoção.

As crônicas oficiais narram que Plácido quis erigir, no terreno onde se localizava sua residência, uma capela. Morreu antes de iniciar a obra. Sucedeu-o no culto o devoto Antonio Agostinho, que levou avante o encargo de levantar a ermida. Angariando dinheiro entre a população, ergueu-a de taipa e cobriu-a de palha, no centro do bosque transformado, depois, em modesta praça. Hoje, a paupérrima capela é uma das mais suntuosas igrejas do Brasil, toda revestida de mármore e ouro, contendo verdadeiras obras de arte em seu interior.

Primeiro Círio no Pará



Em 1780 assumia a presidência da Província do Pará, d. Francisco de Souza Coutinho. Ele tornou-se devoto, também, de Nossa Senhora de Nazaré. Determinou, então, que anualmente se fizesse uma feira em frente à capela, concorrendo nela, livremente, os agricultores, inclusive os índios. Passando para a parte religiosa, determinou ainda que se realizasse uma grande romaria, levando a imagem do Palácio do Governo à ermida. No dia 8 de setembro de 1783 realizou-se, portanto, a primeira trasladação: de noite a imagem foi transportada do Palácio; no dia seguinte, de tarde, o povo e as autoridades levaram-na de volta ao seu nicho. Com o desenrolar dos anos, o Círio sofreu muitas modificações: a imagem passou a ser transportada em uma berlinda, no lugar de ir no colo do bispo, em um carro puxado por bois; incorporaram o Carro dos Milagres (lembrando o de d. Fruas Roupinho, salvo do abismo por interferência da Virgem); o bote em que se salvariam vários devotos, quando do naufrágio do navio português São João Batista; o Carro das Promessas; o Andor dos Anjinhos; e a famosa corda, puxada pelo povo, tendo no meio a berlinda conduzindo a imagem, as autoridades religiosas, civis e militares.

A origem dos arraiais


No período em que era realizada a festa de Nazaré, que durava de sete a 14 dias, vários romeiros iam do interior do Pará até a Basílica de Nazaré. A maioria não tinha condições para ficar em um hotel, ou não possuía parente algum na cidade. Ao redor da igreja, eles começaram a construir barraquinhas, onde passavam as noites e vendiam iguarias à base de pato no tucupi, bolos, salgados e produtos da terra de origem: uma farinha de mandioca, massa para o tacacá, etc. Esse hábito passou a ser incorporado na festa, formando-se daí os arraiais. Como vimos no início desse relato, em Macapá a festa surgiu em 1934, já com as barracas que eram construídas rudimentarmente, em frente à Igreja de São José, no local onde hoje é o Teatro das Bacabeiras. Até a década de 60 havia a Barraca da Santa em frente à Igreja, onde eram realizadas as festividades da administração paroquial, acompanhadas de retretas da Guarda Territorial.

Durante todo o período do arraial, a rapaziada ia namorar, se divertir e ter uma descontração sadia. Mas hoje os tempos mudaram. Com o desenvolvimento da cidade chegou o progresso, e as gangues de rua já não deixam mais a moçada se divertir.

Religiosidade em torno da santa



São inúmeras as penitências que os romeiros cumprem durante o trajeto do Círio. Na realidade, cada local tem seu padroeiro e, em Macapá, o esposo de Maria, José, não temeria de modo algum a concorrência quea esposa terrena poderia fazer em torno das homenagens à santa. Das penitências mais freqüentes, já apareceram mulheres carregando uma bília (espécie de pote) à cabeça, para lembrar que seu filho mais novo foi salvo pela Virgem, de uma crise de verminose, após beber um pouco de água benta do padre, com a invocação de Maria.

Um certo senhor foi visto em 1989, carregando quatro jarros na cabeça. Ao ser interrogado, este senhor informou-me que logo após inúmeros pedidos à virgem de Nazaré, conseguiu finalmente fazer sua casa, em alvenaria. A presença até mesmo de uma saca de cimento nas costas foi detectada em 1994, quando o penitente, um certo agricultor, explicou que estava trabalhando em sua casa, fazendo um forno para a confecção da farinha. Em um dado momento o fogo se espalhou pela palhoça em que estava fazendo a farinha, e em pouco tempo ela foi consumida pelo fogo. O penitente ficou preocupado porque colocou parte de sua renda, da última safra, embaixo de um saco de cimento que estava exatamente perto do forno de farinha, pois não confiava em seus dois filhos homens que moravam em sua casa, porque poderiam gastar o dinheiro em bebida. Após meditar sobre os prejuízos que teve em razão de um incêndio, um de seus filhos descobriu que embaixo de uma saca de cimento, que sobreviveu ao fogo, estava a fortuna do pai. Em honra à virgem, o penitente resolveu participar de dez círios ininterruptos em agradecimento à Virgem de Nazaré.

Humor e Religião

 Mas o Círio também tem seu lado humorístico. Um  dos casos se refere a uma devota de 65 anos, que chegando ao então bispo de Macapá, d. José Maritano, esta solicitou ao bispo que pagasse uma promessa queela tinha feito à santa, e não poderia faze-lo em razão do avançado da idade. A promessa consistia em o bispo correr, da catedral de São José em direção ao antigo prédio da Intendência soltando uma caixa de pistolas. “Mas eu não posso fazer isso, minha senhora, porque a promessa é sua..”. Ao que ela respondeu: “Mas eu já pedi à minha santa padroeira que o senhor me substituísse nessa penitência, porque eu estou muito velha”. Não adiantou o bispo dizer à penitente que ele poderia tornar a promessa sem efeito. Ela não aceitou, pois “o que a Santa de Nazaré define ninguém pode desfazer, nem mesmo um bispo”. O certo foi D. José Maritano pedir a um sacristão que fizesse o percurso com a pistola.

Arraial, coisa do passado

Uma das grande saudosistas do Círio, que já se tornou ícone da festa, foi a professora Guita, que deu parte de sua vida às festividades do evento. Ela sempre recordava dos primeiros arraiais, “onde a moçada realmente ia se divertir. Não havia violência. A polícia tinha pouco trabalho. O namoro era sadio, as pessoas vinham para a barraca da santa ou participavam de uma pescaria. Canoas, atadas a traves,  giravam de um lado para outro conduzindo crianças. Hoje em dia esse cenário não existe mais, e a tendência é deixar o arraial para trás, pois as autoridades do município não dão valor a isto”. Estas declarações foram da professora Güita em 1987. Realmente o arraial com todo o espetáculo profano resume-se apenas a alguma barracas, e o movimento é maior em torno da barraca da santa, improvisada na quadra do antigo Pensionato.

Tanto no Pará quanto no Amapá, o cerimonial do Círio segue um padrão: na noite de sábado realiza-se a trasladação: a santa é levada de uma igreja paroquial de Macapá a outra. No domingo bem cedo, a cidade inteira acorda com o foguetório. Às sete horas começa a procissão. E durante quadro horas uma fantástica massa humana se comprime nas principais artérias da cidade como há sessenta anos atrás.

 Fé, maior instrumental




Questionada ou não, a romaria do Círio de Nazaré segue sem problemas o trajeto da cidade todos os anos. Os penitentes, alheios aos falatórios de fiéis de outras religiões, seguem firme e solenemente a pagar as promessas contraídas em seus momentos mais dramáticos. Nesse clima de paz, o que interessa realmente é a fé, que é o fio condutor de todo esse processo de caminhada da santa. São mais de setenta anos de Círio em Macapá; de esperanças e certezas de uma população católica sedenta de fé à sua virgem, cumprindo o itinerário de devoção à “advogada do povo”, crentes na salvação eterna. É o Círio. É a romaria. É a solene manifestação de fé da população. É a certeza de  dias melhores, na criatividade popular de valorizar a mulher que foi a grande causa de tudo isto: o nascimento do Salvador Jesus Cristo!

sábado, 6 de setembro de 2014

AMOR, CIVISMO E SAUDADES DOS TAMBORES DE SETEMBRO DE OUTRORA - PARTE 1

Texto: Edgar Rodrigues



                Ano de 1950. André Nonato lembrara à mãe, logo no final do mês de agosto, que ela teria que passar na Divisão de Assuntos Culturais do Departamento Territorial de Educação, para pegar os tecidos do uniforme escolas, tanto da calça quanto da camisa, além do desenho para a confecção das luvas e das polainas (peças alegóricas, usadas nos desfiles cívicos, para proteção da parte inferior da perna e superior do pé, ligada ao calçado). A sua irmã, Nazaré de Pádua, também havia avisado à família sobre as faixas verde-amerelas, improvisadas de broche, e os adereços para serem colocados na sua bicicleta, pois ela faria parte do pelotão de bikes alegóricas para o desfile da sua escola, e isso valeria prêmio de classificação.

                Este era o cenário das festividades cívicas de setembro, no período não tão longevo da Ditadura Militar, e que precisava ser caracterizada, na Avenida FAB, já no dia 7 de setembro, toda a conquista da Pátria, o esforço cívico da classe militar na “defesa da honra conta os comunistas”, e na construção do Território Federal, a partir de 13 de setembro. E tudo isso teria que ser novamente lembrado através das imagens, pois, como dizia Confúcio (470 AC): “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Aliás, esta caracterização de se lembrar a história e perpetuar os mitos foi bastante lembrada pelo positivismo de Comte, onde “Os Mortos Governam os Vivos”, como forma de lembrar aqueles que deram seu sangue pela Pátria, e utilizada nos desfiles militares dos tempos hitleristas e de Mussolini... e hoje fazem parte de desfiles de países totalitários e complexos, como China e Coréia do Norte.

                De 1950 até a década de 1970, de 1º a 24 de setembro, a cidade de Macapá praticamente ficava com atividades de aulas paralisadas, e mediante a matéria prima oferecida pelo governo militar, todas as famílias da cidade começavam – seguindo roteiro de cada estabelecimento escolas – a organizar os filhos para o grande desfile. Assim, a chamada Semana da Pátria, na realidade, eram quase três semanas, que abrangiam três fatos importantes do civismo local, como os desfiles de 7 e 13 de Setembro, os Jogos Ginásio-Colegiais e a Expo-Feira Agropecuária do Território do Amapá, que sempre se estendia até o dia 24.

                A partir do dia 1º de setembro, o Grupo Escoteiro e as guarnições civis e militares, como as do Exército Brasileiro em Clevelândia do Norte, começavam o barulho, na cidade, dos ensaios para o dia 7. A garotada, livre até o dia 19, das aulas, se dividia entre ajudar os pais na organização e confecção dos uniformes, e a apreciarem a evolução, mesmo em forma de ensaios, de guarnições como a “briosa” Guarda Territorial, que com sua banda de música, era predominante a afinação e o ritmo ouvido em todos os momentos.


                7 de Setembro

                O primeiro desfile de 7 de Setembro, com toda pompa, aconteceu em 1954, se repetindo em 1955 ate 1960, em cima da Fortaleza de São José de Macapá. Há um registro fotográfico, feito pelo tenente Ruy Gama do Nascimento, à época comandante da Guarda Territorial e diretor da Divisão de Segurança Pública, que mostra o forte todo ocupado pela população, que assistia ao desfile dos representantes e articuladores da segurança local. Pelotões todos em ordem, com guardas territoriais fardados e com seus uniformes passados pela goma de tapioca, e ferro em brasa, desfilavam com todo garbo no cenário histórico da Fortaleza de São José.

                A partir de 1961, os desfiles passaram a ser realizados em torno da Praça da Saudade, primeiro nome da Praça da Bandeira, como lembrança ao brusco acidente aéreo que vitimou o promotor de Justiça Hildemar Maia, o deputado federal Coaracy Nunes, e o piloto Amilton Silva, quando vinham, em um avião monomotor tipo Paulistinha, da região do Macacoari. Mas a partir de 1965 a praça passou a ser denominada, por ato do governador Luiz Mendes da Silva, o primeiro a partir do Golpe de 1964, de Praça da Bandeira.

                De 1961 a 1990, antes da Era Sambódromo, eram improvisadas arquibancadas em madeira, na praça, em frente à Av. FAB, de um lado a outro, para que o público pudesse assistir, sentado, aos desfiles. Estas arquibancadas eram armadas desde a Rua Jovino Dinoá até a General Rondon, e as autoridades eram dispostas em destaque em meio a uma edificação permanente, antes em madeira, e depois em concreto armado, onde assistiam, inicialmente, ao governador que fazia a visita às tropas, à época representantes do 4º Distrito Naval que vinham de Belém, o Tiro de Guerra 130, a Guarda Territorial, a turma da Aeronáutica que trabalhava no Aeroporto de Macapá, o Grupamento do Corpo de Bombeiros, e os grupos escoteiros, entre eles, o Veiga Cabral e Marcílio Dias. Ao som da Banda da GT, os grupos militares, pára-militares e civis passavam, através dos desfiles e das demonstrações que cada um fazia de suas atividades cotidianas, o que era feito para promover a cidadania, como modo eficaz de servir a Pátria.

                A partir de 1969, com a instalação do Exército Brasileiro a partir da 1ª Companhia do 34ª Batalhão de Infantaria, juntamente com o grupo de Clevelândia do Norte, o desfile passou a ter a presença do Exercito aquartelado em Macapá e Oiapoque. Este era o cenário do desfile de 7 de Setembro, na Avenida FAB, no período territorial.



                13 de Setembro – Civismo Estudantil

                Sempre com um tema a ser abordado em cada estabelecimento escolar, o desfile de 13 de Setembro tinha duas funções importantes a considerar: a lembrança da criação do Territorio Federal do Amapá, e a encenação, através de alegorias e adereços, do que está sendo feito no Território, pelos governos militares. Por isso mesmo que todos os temas eram previamente escolhidos no então Palácio do Setentrião para cada estabelecimento de ensino, e transmitidos à direção, cabendo a cada colégio o desenvolvimento dos temas.

                Entre 1961 e 1970, eram quase 36 estabelecimentos de ensino, divididos entre Primário, Ginasial e Cientifico, os protagonistas da grande festa cívica daqueles tempos. E os desfiles de cada estabelecimento eram julgados por uma comissão de jurados, sempre constituídos de educadores, militares e gente de grande notoriedade no Território do Amapá. O antigo IETA (Instituto de Educação do Território do Amapá), CA (Colegio Amapaense), CCA (Colegio Comercial do Amapá, atual Escola Gabriel Café) e o GM (Ginásio de Macapá, atual Escola Antonio Pontes) dividiam, a cada ano, as primeiras colocações. Sempre monitorados, de longe, pelos agentes da Ditadura Militar, os alunos dos colégios davam tudo de si para que seu estabelecimento fosse vitorioso. Os prêmios não consistiam em pagamentos financeiros, mas em troféus, e cada colégio vencedor, o ano todo era lembrado, pela mídia local (Radio Difusora de Macapá, Radio Educadora São Jose e jornal Amapa, do Governo do Amapá), como incentivo para que no próximo ano fosse melhor o desempenho.


                Os desfiles de 13 de Setembro consistiam em alunos uniformizados tanto com uniformes padrões, como também outros fardamentos sempre com inspirações nas cores verde e amarela, e de acordo com a cor padrão de cada estabelecimento. No caso do Colegio Amapaense, a cor era vermelha; do Ginásio de Macapá, azul claro; do IETA, azul marinho, e do CCA, verde. Carros alegóricos, demonstrações de educação física, motos e bicicletas todos estilizados, faziam parte do cenário dos desfiles.... e com direito a apresentação, através de locutores famosos, que era feita em cadeia com as emissoras locais. O resultado dos desfiles não era divulgado no final, mas sim no outro dia. Geralmente eram realizados pela parte da manhã até meio dia. Com a era Sambódromo, os desfiles de 13 de setembro passaram a ser feitos pela tarde.

TAMBORES DE SETEMBRO: AMOR, CIVISMO E SAUDADES - PARTE II


            
    Jogos Ginásio Colegiais

                O terceiro fatos do período da Semana da Pátria foram os Jogos Ginásio Colegiais. Numa cidade como Macapá, longe dos grandes centros urbanos como Belém, e sem ligação rodoviária, houve necessidade de realizar atrativos próprios nesse período, de maneira que toda a população fosse um pouco “vacinada” diante dos processos e buscas, quase que diários, da “turma da repressão”, na caça de “comunistas e corruptos”. O interior da Fortaleza de São José de Macapá sempre abrigava, à espera de transporte aéreo, pessoas consideradas “inimigas da Revolução” para serem “entrevistadas” pelo DOPS do Pará... e muitas não voltavam. Em meio a isso, o Governo Territorial proporcionava esses espetáculos populares, e entre eles, estavam os Desfiles Civicos e os Jogos Ginásio Colegiais.

                Tendo como cenários o Ginásio Coberto da Divisão de Educação (hoje Ginásio de Esportes Paulo Conrado) e o Estádio Municipal Glicério Marques, de 13 a 19 de setembro ocorriam os Jogos Ginásio Colegiais, com direito a torcidas. Eles eram realizados sempre no período da tarde. O Colégio Amapaense, o IETA e o Ginásio de Macapá sempre dividiam as primeiras classificações a cada ano. A partir do dia 19 encerrava-se a parte cívica, e tinha inicio a Expo Feira Agropecuária.



                Expofeira Agropecuária

                Com a finalidade de expor para o publico e visitantes a produção agropecuária do Amapá, o Governo Territorial resolveu investir numa chamada “Feira de Animais e Produtos Agricolas”. A primeira feira ocorreu em 1947, inicialmente em frente à Escola Barão do Rio Branco, na mesma praça do Barão. Com a construção do Estádio Municipal Glicério Marques, a feira passou a ser realizada até a década de 60, quando, finalmente, passou a ter como sede definitiva o Parque de Exposições da Fazendinha. Com o passar dos tempos, a Expofeira foi se aperfeiçoando, até se transformar numa grande vitrine da economia amapaense.



                Resgate

                Da década de 1980 a 1990, houve uma espécie de paralisação da festividade do dia 13 de Setembro, continuando apenas os desfiles do dia 7, e a realização da Expofeira. A partir do governo de João Capiberibe, 1995 a 2002, houve o resgate dos desfiles do dia 13 de Setembro, ficando para o passado, os Jogos Secundaristas, que mais tarde se transformaria em Olimpiadas Estudantis. A partir daí, com menos pompa e mais realidade local, os desfiles eram realizados por grupos escolares denominados NAEs (Núcleos de Apoio aos Estudantes), e o primeiro tema, já na era do Amapá Estado, foi sobre o Programa de Desenvolvimento Sustentavel do Amapá (PDSA), abrangendo assuntos como sustentabilidade, manejo, e outros ligados sempre à realidade local.

                Passou-se parte da empolgação do período militar, que tinha sempre esta dicotomia de mostrar aos cidadãos que tudo estava em ordem no Território, e sob controle, mas por outro lado, vários outros cidadãos que exigiam mais direitos, eram trancafiados em locais de torturas, como forma de fazê-los entender que haveria necessidade imensa da compreensão de que o “Tudo pela Pátria, e tudo pela Revolução” eram metas que tinham um preço muito alto.


                Hoje, passados os tempos dos porões das ditaduras, os desfiles cívicos e a Expofeira do Amapá tentam lembrar os atos bons, e enterras, aos poucos, os exageros cometidos por comandantes inescrupulosos, e colocando, nos nossos tempos atuais, de que o amor à Pátria e ao Amapá se faz através de trabalhos, estudos, lazer e pesquisa... mas sempre com a motivação proporcionada pela sensação de Liberdade....  Esse é, a nosso ver, o grande significado atual nos nossos tambores de Setembro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BAIRROS DE MACAPÁ: BEIROL


Um dos bairros de Macapá, compreendendo uma área de 1,0 km2. Em 2010 (IBGE) a população do bairro era de 7.930 habitantes, sendo 4.190 homens para 4.574 mulheres, morando em 2.102 domicílios particulares.

A denominação deste bairro origina-se de um antigo paredão existente ali, no final do século passado. O paredão servia de referência para que os artilheiros da Fortaleza de São José praticassem o tiro-ao-alvo, usando os centenários canhões da fortificação. A crônica da época conta que o padre Gregório Alvares da Costa, terceiro vigário de Macapá, destacava-se como exímio artilheiro nestes exercicios.. A ele competia dar lições de tiro e de arte militar aos soldados da fortaleza. Os exercicios de tiro-a-alvo eram praticados nos dias santificados e nas datas civicas.

Logo após a instalação do governo territorial, foi construido, no local, que ainda não se chamava Beirol, o primeiro presidio de Macapá, mas também ficou conhecido com o nome do bairro. Assim desfaz-se o comentário tradicional de que o barirro tivesse se originado de um presídio situado ao lado do quartel da Policia Militar.

No bairro encontram-se a maioria das estações transmissoras das emissoras de rádio e televisão do Amapá; as antenas da Embratel, o balneário do Araxá, a sede campestre do Sesc, a estação de tratamento de água da CAESA, o ginásio Castelo Branco e a Igreja de São Pedro, entre outros locais de destaque.




            

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O POÇO DO MATO

1908 - Poço do Mato, em Macapá. Foto: A. Fidanza

O Poço do Mato localiza-se no meio da Avenida Padre Manoel da Nóbrega, no centro da cidade de Macapá, entre as ruas General Rondon e São José, atrás do terreno da CAESA (Companhia de Águas e Esgoto do Amapá).  

Foi declarado Monumento de interesse cultural do município de Macapá, através do Projeto de Lei nº 037/93, da Câmara de Vereadores de Macapá.
Construído em 1864 para fornecer água aos moradores do antigo bairro do Laguinho, o Poço do Mato tornou-se uma verdadeira fonte de imaginação e fatos folclóricos para os macapaenses.

O primeiro Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Macapá, coletava água do velho Poço do Mato, que apesar de antigo, tinha água pura e límpida.


Esta foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará",pertence à resenha dos 8 anos do governo Augusto Montenegro, no Pará. Além do relato histórico, o importante documento possui muitas fotos da época, que foram feitas pelo excelente fotógrafo Fidanza, em 1908.

2014 - Poço do Mato - Macapá

domingo, 24 de agosto de 2014

MUSEU HISTORICO JOAQUIM CAETANO DA SILVA

Painel sobre o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva - 
Foto do jornalista Elton Tavares (2009)

Tem sua origem ligada ao exinto Museu Territorial, criado pelo então governador Janary Gentil Nunes em 25 de janeiro de 1948, após a extinção do Museu Territorial nesta mesma data.

            Em 1974, o governador José Lisboa Freire vinculou o Museu Industrial, que funcionava na Avenida FAB, entre Jovino Dinoá e Leopoldo Machado, ao Museu Joaquim Caetano da Silva, com atuação nas ciências naturais e humanas. Como houve maior desenvolvimento na área de Ciências Naturais, em 4 de maio de 1988 o governador Jorge Nova da Costa  extinguiu o Museu Histórico e Cientifico do Amapá Joaquim Caetano da Silva e criou o Museu de Plantas Medicinais Waldemiro de Oliveira Gomes.

            Mas em 16 de novembro de 1990 o Museu Histórico e Cientifico do Amapá Joaquim Caetano da Silva foi reativado pelo então governador José Gilton Pinto Garcia, destinando, como sede própria e definitiva,  o prédio da antiga Intendência. O Museu funcionou neste local, de 21 de maio de 1993 a 26 de junho de 1998, quando foi transferido para a Fortaleza de São José de Macapá, pois o prédio da antiga Intendência estava em obras. Tentou-se uma nova nomenclatura: “Fundação Museu Fortaleza de São José de Macapá, mas não vingou, e o Museu  Joaquim Caetano voltou a ter autonomia própria, mesmo funcionando nas dependências da fortificação.


            Restauração do prédio

            Enquanto a instituição funcionava provisoriamente nas dependências da Fortaleza de São José de Macapá, o prédio do Museu foi restaurado. A proposta de restauração foi precedida de pesquisa histórica e iconográfica, bem como auxiliada pelas prospecções realizadas no próprio monumento, que nortearam as decisões de projeto e obras, observando seu estado de conservação e preservação e o tratamento relativo aos elementos que foram perdidos ou modificados ao longo dos anos, evitando falsas evidências históricas e estéticas.

            Foram realizadas prospecções que indicaram a presença de óculos originais à edificação, configurados pela presença de manilha cerâmica em boas condições de recuperação. O piso e sua estrutura de apoio, dispostos sobre aterra, apresentavam-se completamente comprometidos pela ação de cupins e umidade proveniente do contato com o terreno. Após a  limpeza e remoção do aterro, foram encontrados vestígios do piso original do porão em tijoleira. Os salões do prédio receberam tabuado de ipê e na área frontal foi estabelecido o sistema de composição formal e funcional do nível do porão da aeração.

            Foram confeccionadas novas esquadrias em madeira e vidro e gradís, visto que as existentes estavam em péssimo estado de conservação e não eram originais, bem como escadas metálicas para acesso ao porão e área livre posterior. O nível do porão foi rebaixado de forma a obter uma altura mais confortável e apresenta sistema de aeração para evitar a ocorrência de umidade visando atender aos novos usos de laboratório de restauração e reserva técnica.

            Sistemas de iluminação especial para o museu, climatização de ar por aparelhos tipo “Split” e controle interno e monitoramento visual por câmeras de TV foram incorporados ao imóvel para atender aos aspectos de conforto e segurança. O prédio contava apenas com banheiros no nível do porão, os quais foram totalmente reformados, para atendimento do corpo técnico. Para os usuários foi criado um conjunto de banheiros no pavimento térreo, incluindo o de portadores de necessidades especiais. A acessibilidade ao prédio foi ampliada com a introdução de rampas.

            A escolha das cores atentou para o resultado das prospecções pictóricas realizadas no nível da platibanda e frontão de coroamento do prédio, as quais mantinham o reboco original. As diversas camadas de pinturas que foram sobrepostas ao longo dos anos encobriam as cores originais, que eram em tons de ocre. A restauração dos elementos decorativos em louça (esculturas, pinhas, vasos) foi realizada por técnicos restauradores do próprio museu. As peças encontravam-se em péssimo estado de conservação e após longo processo de intervenção, esses elementos foram restabelecidos em seus locais de origem.

            Em geral, todos os elementos introduzidos na restauração atendem ao critério de reversibilidade das intervenções de forma a não comprometer intervenções futuras e ao mesmo tempo apresentar linguagem contemporânea, mas em harmonia às estruturas originais.

            Tempos atuais

            Atualmente o museu está funcionando no seu prédio definitivo. A edificação que hoje abriga o Museu Histórico do Amapá Joaquim Caetano da Silva é orgulhosamente devolvida à sociedade, configurando-se como um espaço para a salvaguarda e difusão da história social e política de constituição do Estado do Amapá. Assim, os salões nobres do monumento forma destinados aos espaços expositivos para a difusão do acervo arqueológico  no Amapá e na constituição da memória social, histórica e cultural do Estado. O corredor central abriga a exposição que conta a trajetória do Museu e da própria edificação, inclusive do processo restaurativo.

            Foi criado um espaço multiuso para as atividades de difusão e educação que permite atender até 30 usuários de uma só vez, bem como a organização da biblioteca e o atendimento de público, além do setor administrativo, totalmente equipados e mobiliados. No nível do porão encontram-se a reserva técnica e o laboratório de restauração.

            A área posterior foi trabalhada de forma a ser um espaço de convivência e integração do Museu com a sociedade, com o estabelecimento de área de contemplação, paisagismo e deck de madeira, além da construção de  lanchonete, sala de museografia e guarita de segurança e controle do acesso.  Esse monumento representativo da arquitetura e da história cultural do Amapá é testemunho vivo do crescimento, luta e constituição da identidade e memória coletiva, que abrange o vasto patrimônio material, natural e imaterial amapaense.


            A recuperação física do imóvel se soma aos restabelecimentos de um Museu cuja trajetória e função se pauta na pesquisa e difusão dos saberes, da história e preservação cultural do Amapá, no atendimento e utilização e função cultural e social, de forma ampla, plural e democrática.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

GRUPO PILÃO



Grupo musical pioneiro no uso e valorização da cultura regional do Amapá. Criado em Macapá em 26 de setembro de 1975, por ocasião da realização do 5º Festival da Canção Amapaense, na ocasião em que defendeu a música Geofobia, de Fernando Canto e Jorge Monteiro, usando um pilão como instrumento musical.