quinta-feira, 16 de abril de 2015

Personagens do Amapá: HENRI COUDREAU


A partir da chacina ocorrida no Amapá 1m 1895, em que vieram a tombar velhos, mulheres e crianças, a vila de Amapá mergulhou num mar de tristeza. Era difícil a família em que entes queridos não tivessem sido sacrificados pela cobiça do invasor.  Famílias inteiras haviam sido massacradas. Inquéritos passaram a ser feitos entre os dois países em litígio. A essa época, se encontrava em Amapá um naturalista francês  em missão de estudos da flora amazônica: HENRI COUDREAU (Henri Anatole Coudreau).

Apesar de não ter assistido ao combate na vila, por se encontrar no mato realizando suas pesquisas, Coudreau pôde, como testemunha ilustre no mundo histórico-científico, avaliar as conseqüências provocadas pela chacina de Charvein e Lunier à vila.

O engenheiro Antonio Gonçalves Tocantins, encarregado pelo governador do Pará de fazer a avaliação dos danos provocados pelos soldados de Lunier, fez um minucioso relatório, cuja cópia foi enviada ao governo francês. Ao tomar conhecimento do relatório que também lhe foi enviado, Coudreau escreveu imediatamente ao engenheiro Tocantins, dando sua opinião sobre o massacre, no qual responsabiliza o governo francês:

Ilmº Sr. Dr. Tocantins, encarregado de missões científicas.
Meu caro colega. Acabo de ler atentamente vosso relatório sobre o massacre do Amapá. Relata um conjunto de fatos que, desgraçadamente, não podem ser postos em dúvida, mesmo nos detalhes. Assisti ao inquérito que fizestes no Amapá e cotejei-o com o outro contra-inquérito feito por mim mesmo e minha convicção é completa: os fatos são exatos no seu conjunto. Peço-vos somente que distingais, nesse lamentável acontecimento, duas fontes de responsabilidade:

1 – A responsabilidade do governo francês – O governo foi iludido em sua boa fé por um pequeno bando de indivíduos, mais ou menos  comprometidos em “camarilha”, que eu observo há alguns anos e cuja entrada próxima nas galés espero com paciência;

2 – A responsabilidade do bando de indivíduos em questão – Por hoje não marcarei na espádua senão o odioso instigador do massacre do Amapá, o célebre Charvein, grande jacobino, anti-colonial, que dá realmente a mão ao seu negro (refere-se a Trajano) nas pequenas combinações, auríferas do Contestado.

Não determino por ora porque não estou na França; mas fá-lo-ei nos jornais de meu país. Falarei! Não consentireis que se diga que Caiena, a Caiena que conheceis, a Caiena com sentimento anti-francês,m vós mesmos o tendes verificado, provocou um rompimento entre  a França e o Brasil.      O coração e o bom senso das duas grandes ações amigas prevalecerão contra as patifarias dos negos e a raiva dos concessionários.

Cordialmente, meu caro Doutor, vosso devotado. Henri Coudreau, encarregado de missões culturais, 1883-1895.

         

            A correspondência de Coudreau é interceptada, caindo em mãos de Charvein, governador de Caiena, que começa a reunir um pelotão de soldados para fuzilar os prisioneiros e caçar o cientista francês.         A correspondência foi publicada no jornal A Província do Pará, de 05 de junho de 1895, e no “Diário de Noticias” de 07 de junho de 1895.

sábado, 11 de abril de 2015

Personagens do Amapá: general AZEVEDO COSTA

João Álvares de Azevedo Costa foi um militar amapaense, nasceu em 14 de novembro de 1871 em Macapá, e faleceu no Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1953. Filho de pais humildes, demonstrou desde cedo o desejo de percorrer o Brasil, conhecer outros lugares, outras pessoas. Com o apoio do tenente-coronel Chefe do Estado Maior do Comando Superior da Guarda Nacional de Macapá e Mazagão, viaja para o Rio de Janeiro e senta praça no Exército em 1º de março de 1889, um dia depois de ter completado 18 anos de idade. Nessa época Azevedo Costa fazia parte da guarda pessoal do marechal Deodoro da Fonseca. Em 20 de fevereiro de 1894 recebe a patente de alferes do Exercito Brasileiro.

Bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemática, além de Engenharia, na Escola Militar. Em 1903 foi designado para manter entendimentos com chefes militares bolivianos sobre a questão de limites com o Acre, resultando na assinatura do Tratado de Petrópolis, após uma defesa magnífica do Barão do Rio Branco.

Nomeado membro da Comissão de Limites, levantou a topografia da zona fortificada do norte do Brasil, ocasião em que foi designado para o comando da Fortaleza de S. José de Macapá. Nesta ocasião, ao ver o abandono em que se encontrava sua terra natal, teve a mesma reação do médico e jornalista amapaense Alexandre Vaz Tavares. Convocou os jornalistas José Antonio Siqueira e Joaquim Francisco de Mendonça Junior, o major José Serafim Gomes Coelho, o coronel Coriolano Jucá e outros amapaenses importantes, para se juntarem no trabalho  de recuperação de Macapá, começando com o apoio para fundação do jornal Pinsonia. Retornando para o Rio de Janeiro, acompanhou as lutas políticas dos presidentes Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás e Delfim Moreira, dentro do quartel.


No governo de Epitácio Pessoa, houve o movimento tenentista dos oficiais das Forças Armadas em 5 de julho de 1922, com o levante do forte de Copacabana. Deu-se, posteriormente, a rebelião de 1924, no governo do presidente Arthur Bernardes e, logo em seguida, a Coluna Prestes. Aplaudiu a criação do Território Federal do Amapá e a nomeação do capitão Janary Nunes para o governo, declarando à Imprensa: “O Amapá está bem servido com o meu jovem tenente”. Faleceu aos 82 anos de idade.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Personagens do Amapá: EDSON CORREIA


O bacharel Edson Correia já foi promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública, procurador geral da República, curador da Vara  Criminal de Família entre outras coisas. Edson também tve seu lado cronista e de poeta. Prata da casa, nasceu no município de Amapá em 2 de julho de 1934, na fazenda de seu pai, coronel Arlindo Gomes Correia. Já não está mais entre nós. Ainda adolescente, viajou para o sul do país bacharelando-se em Direito em Curitiba (Paraná), pela Pontifícia Universidade Católica, em 1960. Ele foi orador da turma dos formandos. “Aliás, sempre tive a sorte de ser orador em conclusões de cursos, desde o ginásio, passando pelo científico até meu curso de Direito. Agora, eu sou paraninfo de turmas”. Em 1963 foi nomeado Procurador Geral da República. Em 1969, aos 35, ingressou na política. Embora não estivesse inicialmente filiado a partido algum, passou a apoiar a candidatura de Antonio Ponte, pelo antigo MDB, na chapa cujo lema foi “Renovar para Melhorar”. A esse tempo, contribuiu muito para a vitória do único partido pós-golpe em, pelo menos, quatro municípios dos cinco existentes. “O povo já estava cansado do janarismo reinante, e era preciso renovar com sangue novo. Os nossos opositores arenistas e filiados às correntes de Janary Nunes passaram a nos taxar de vaqueiros por causa de nossa origem; aí resolvemos imprimir este estereótipo, inclusive o Pontes passou a usar um chapéu de vaqueiro, e partimos para fazer uma vaquejada do Janary, o que, de fato, aconteceu, com sua derrota, depois de oito anos do Legislativo federal”.

            Em 8 de setembro de 1964, no auge da ditadura militar, é nomeado , compulsoriamente, pelo general Luiz Mendes da Silva (à epoca governador do Amapá) para integrar a Comissão Territorial de Investigação Sumária. Os anos 60, disse Édson Corrêa, foram fundamentais para se criar uma nova consciência de vida do mundo. “Tudo muda. Temos de acreditar nisso. Foi nesse período que comecei no jornalismo. Em Curitiba trabalhei na Gazeta do Povo e na revista Panorama, de cultura. Também fui radialista na PRB 2, Rádio Difusora de Curitiba, com programas culturais. Advoguei  no capital paranaense e em várias cidades, chegando até mesmo a ser promotor”. Sobre Janary Nunes, comenta: “Janary foi ídolo no Território do Amapá. Como primeiro governador, lutou par ao engrandecimento da região; mas o velho guerreiro já estava cansado, e achamos necessário mudar o quadro com a proposta:”O Amapá para os amapaenses”, slogan que tinha como escopo a renovação político-partidária via MDB. E éramos amapaenses, todos aqueles que que exigiam mudanças. Eu e o Pontes precisávamos imprimir Segurança Pública, luta “para que tenhamos uma boa polícia, e policiais adequados aos bons costumes”. No magistério, chegou a lecionar Literatura Brasileira,, Português e Latim, no Colégio Amapaense e no Colégio Comercial do Amapá”.

            Eleito por 10 anos consecutivos o “professor do ano”, Édson Correia tem esperanças de voltar a lecionar Filosofia do Direito e outras disciplinas correlatas, o que já fazia em Curitiba. Acredita na futura Universidade Federal do Amapá e é incentivador das potencialidades artístico-culturais que a terra possui. Espírita convicto do ramo cardecista, acredita piamente na reencarnação e é admirador de Chico Xavier. Foi um dos primeiros filiados da Federação Espírita do Amapá e procura viver um dos lemas do espiritismo, “o de fazer o bem, semear a bondade e respeitar todo ser vivente”.

 Eis alguns trechos de uma entrevista que ele me concedeu, publicada no Jornal do Dia de 18 de maio de 1989, na seção Pioneiros:

            Considera-se um homem religioso, por isso. Bom leitor de filosofia, lê constantemente José Enginieros, autor de “O homem medíocre”, e “As forças morais”, além de Kant, o crítico da “Razão Pura”, obra onde baseia seus preceitos morais de acordo com os imperativos kantianos de liberdade. Crítico literário, gosta de discutir assuntos ligados a Alan Kardec, Dante Alighiere, Humberto de Campos, Euclides da Cunha, José de Alencar, Vitor Hugo.

            Na poesia, sua predileção é Castro Alves, considerado por ele o melhor poeta romântico, sem esquecer dos clássicos portugueses Camões e Bocage. “Se o assunto é poesia, sou ultracorservador. Gosto do poema rimado, metrificado, como o soneto  e a cantata”.

            No Amapá, Edson Correia começou como promotor de Justiça, depois procurador geral da República, curador das varas de família e menores. A convite do governador Luís Mendes da Silva, conseguiram sua nomeação para juiz de Direito, mas não aceitou “devido a meus preceitos morais de que nasci para defender, e não para julgar”.
Ele já havia administrado uma delegacia de governo: a Secretaria de Administração, onde instituiu o meio expediente para o funcionalismo público.  De todos os governantes que passaram por aqui, Edson Correia tem uma predileção especial por Ivanhoé Martins, sem excluir a grande estima por Nova da Costa. Considera Nelson Hungria o melhor jurista penal. Carvalho Santos é, para ele, o melhor no Direito Civil. Bastante seresteiro, aprecia qualquer música de Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Caubi Peixoto e Angela Maria. Acredita que o cinema brasileiro poderia ser muito melhor. Sua predileção é pelos filmes cuja temática é a guerra, principalmente relativos aos dois grandes conflitos mundiais.

            Acredita na cultura amapaense em sua fase inicial e admira figuras como Herivelto (artes plásticas), Fernando Canto (poesia), e Manuel Sobral (música). Das bandas locais, prefere o Grupo Pilão, pelas raízes culturais contidas nele.        Das casas noturnas, freqüenta o “Balaio”, “Bar do Abreu” e “Star Club”. “Macapá está começando a melhorar as noites. Hoje já temos opções que não tínhamos ontem”. Após sua aposentadoria, vai voltar a advogar “mais para a causa dos necessitados, não excluindo, entretanto, que eu possa aceitar clientes que possam pagar”. Tem ainda esperanças de escrever suas memórias, deixando isso para a aposentadoria, por entender que nesse período estará mais maduro para criar.      


            Obra: “À sobra dos siriubais”, poesia, 1989, Macapá, Imprensa Oficial.

domingo, 5 de abril de 2015

Personagens do Amapá: Padre PAULO DE COPPI




Sacerdote italiano do Pime, trabalhou em Macapá de 1961 a 1976. Em 23 de outubro de 1961 chega, juntamente com o padre Tomás Maisto e o irmão Natal Beneton, todos do Pime, para os serviços de pastoral da Prelazia de Macapá. Em 2 de janeiro de 1970 é vigário coadjutor da paróquia de São Benedito. Em 21 de setembro de 1971 é vigário da paróquia de São Benedito, também em Macapá. Parte para a Itália em 5 de maio de 1976. Atualmente excerce ministério em Santa Catarina, sendo responsável pela revista missionária Mundo e Missão. Em 15 de abril de 1976 é inaugurada em Macapá, no bairro do Pacoval, a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, construida sob orientação do padre Paulo de Coppi.

Padre Paulo De Coppi foi pároco da Igreja de São José, pároco da Igreja de São Benedito; apaixonou-se pelo Juventus Esporte Clube, fundou a Federação Infanto-Juvenil Oratoriana – FIJO; ajudou na afirmação do caráter e formação de jovens macapaenses, engajou-se no escotismo, editou A Voz Católica, abriu o coração para adotar cada família, cada paroquiano. Tornou-se, pelo seu carisma, um missionário inesquecível.
Em l976 voltou para o seu país, onde ficou por quase dez anos intensificando sua atuação de missionário na região de Vêneto, no nordeste da Italia, e só em 1985 retornaria ao Brasil, infelizmente não mais para o Amapá, mas para Florianópolis,Santa Catarina, onde se encontra até hoje.

Depoimento de Joao Silva: “Paulo De Coopi é um missionário a frente do seu tempo, um religioso extremamente empreendedor, inquieto, alguém que vê no próximo ele mesmo, o seu amor, a sua solidariedade, a sua amizade, o espírito que Deus incute em cada um de nós. Ele tocou muitas vidas na sua passagem pelo Amapá, inclusive a minha. Foi Paulo De Coppi que me abriu as portas do jornalismo enxergando em mim algum brilho que nem eu sabia que existia, determinando que eu virasse colunista de A Voz Católica, jornal da Prelazia de Macapá. A coluna chamava-se “Na Casa do Moleque Travesso”, escrita a quatro mãos com meu amigo de infância, Reinaldo Barcessat.

Desde l986 em Florianópolis, Paulo De Coppi tem vindo a Macapá, e prometeu que virá em enquanto vida tiver; claro que envelheceu um pouco, mas a alma, a energia, a essência do ser humano que pulsa no missionário de Vêneto continuam á serviço de Deus e da fé cristã na sua convivência com o povo catarinense. Atualmente, edita o jornal “Missão Jovem”, mas como sempre achou que era pouco, e fundou “O Transcendente”, outro jornal, este voltado para a orientação do professor e a valorização do ensino religioso nas escolas públicas de Santa Catarina. “


A nova paixão do missionário do nosso tempo é a Web rádio, o rádio na Internet, onde faz entrevistas sobre problemas sociais, religiosidade, e difunde as informações sobre o papel da Igreja Católica no Brasil e no mundo. Que Deus continue abençoando generosamente o sacerdócio de Paulo De Coopi que, lá de Florianópolis, não se esquece de rezar pelo povo do Amapá mais que precisando das suas preces. 

sábado, 4 de abril de 2015

Personagens: CHAGUINHA (Francisco das Chagas Bezerra)

Francisco das Chagas Bezerra, natural do município cearense de Quixadá, nasceu a 15 de dezembro de 1907. Não chegou a conhecer o seu pai, mas foi criado pela mãe, uma artesã que fabricava objetos cerâmicos e sustentava 9 filhos. Chaguinha desde muito cedo começou a trabalhar para ajudar sua mãe. O menino, então com 7 anos, saía de casa para comercializar potes, bilhas, panelas e outros objetos de uso doméstico. Lembrava-se perfeitamente de um movimento político ocorrido no Ceará e denominado “Jagunçada”. Assistiu e sofreu as consequências da grande seca de 1915 e que rendeu o famoso romance de Rachel de Queiroz “O Quinze”.

A grande mudança na sua mentalidade de menino esperto e acostumado desde a mais tenra idade a lidar com as adversidades do sertão nordestino aconteceu quando ele aprendeu a ler e a escrever com a sua madrinha, que o tratava como um membro da própria família e com quem aprendeu as primeira lições de democracia e justiça. Na sua cidade natal verificou as enormes desigualdades sociais, pois havia um coronel dono de muitas e muitas terras enquanto a maioria do povo, inclusive a sua mãe, não possuía nada. Ele então perguntava aos mais velhos o porquê daquela situação e ouvia a singela resposta de Deus dera as terras ao coronel. Mas o menino logo entendeu que aquilo não era produto de uma partilha divina, mas sim humana. Os latifúndios eram fruto da ambição e da injustiça social que sempre prevaleceu no Brasil e que ele iria combater durante toda a vida.

Chaguinha só fez o curso primário, mas seu aprendizado na vida dura que sempre levou o ensinou bastante a adquirir uma brilhante consciência política e a acreditar firmemente no socialismo. Aos 16 anos mudou-se para Fortaleza e começou a trabalhar como ajudante de conferente numa ferrovia federal, emprego que conservou durante dois anos. Logo depois passou por vários pequenos empregos na capital cearense, onde morava em pensões. Considerava essa fase a mais profícua da sua vida como aprendiz das grandes ideias políticas e sociais, pois conseguiu montar uma banca de jornais (naquela época um quiosque) e conviveu com jornalistas, intelectuais e políticos cearenses. 

Lia todos os jornais e conseguia, ao mesmo tempo, compreender cada vez mais a realidade que o cercava.
No ano de 1933, quando ainda morava numa humilde pensão da capital cearense, encontrou um paraense de Castanhal que fora em busca de tratamento médico. Os dois tornaram-se amigos e um dia Chaguinha chegou ao quarto do enfermo e o encontrou chorando e profundamente deprimido. O motivo, disse-lhe este, era o temor de morrer longe da família. Chaguinha comoveu-se com o sofrimento daquele senhor e disse-lhe que o levaria de volta para casa. E cumpriu a promessa. Antes do final daquele ano de 1933 desembarcou em Castanhal, onde ficou morando com a família do seu amigo numa colônia agrícola. Este lhe pediu que alfabetizasse os seus filhos e demais familiares e Chaguinha assim o fez. Nessa colônia, onde permaneceu até 1946, além do trabalho de professor, ele também fabricava farinha de mandioca. Em 1947 foi para uma outra colônia agrícola e em 1949, adoecendo, Chaguinha viajou para Belém em busca de tratamento médico. Na capital paraense, logo tomou contato com os militantes do PC do B e candidatou - se a uma vaga de deputado estadual.

Depois dessa experiência, mudou-se para o Amapá, estabelecendo-se na Colônia Agrícola do Matapí. Mas foi no ano de 1951 que Chaguinha finalmente resolveu morar em Macapá, escolhendo a árdua profissão de carregador autônomo, sem vínculo empregatício com o governo do Território, pois na sua concepção ele julgava importante manter-se livre de quaisquer empecilhos que inviabilizassem ou atrapalhassem as sua ideias socialistas.

Sendo o Território Federal do Amapá governado por militares, as ideias socialistas de Chaguinha não eram bem aceitas. Mas ele, juntamente com o padeiro Jorge Fernando Ribeiro (já falecido) e outros companheiros, sempre lutaram por uma sociedade mais justa e fraterna. Por isso mesmo Chaguinha, que era um trabalhador honesto e que, como pioneiro, muito contribuiu nos primeiros anos de existência do Território, foi preso diversas vezes. Em 1964, época de arbítrio, foi preso acusado de ser Comunista. Em 1973, no famoso caso do “Engasga-engasga”, foi novamente preso junto com o poeta e advogado Isnard Lima, Odilardo, o padeiro Jorge Fernando e seus familiares. Chaguinha foi amarrado com arame e transportado para Belém, onde permaneceu por 20 dias.

Sempre vivendo humildemente, lendo e interpretando a história, Chaguinha jamais renunciou às suas ideias de justiça social, pois desde menino conviveu com os problemas mais graves que desafiam a inteligência e a boa vontade dos políticos e da elite que governa o Brasil: a distribuição de terra.


No final de 1996, o Governo do Amapá fez uma importante homenagem a esse brasileiro cearense criando o Centro de Juventude Chaguinha.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Personalidades do Amapá: JARBAS AMORIM CAVALCANTE

 Jarbas Amorim Cavalcante foi jurista e historiador. Nasceu em Afuá (Pará), em 9 de maio de 1910, e faleceu em Belém, em 16 de maio de 1979. Filho de Antenor Cavalcanti e Maria das Graças Amorim Cavalcanti. Estudou no Colégio Marista de Nossa Senhora de Nazaré (em Belém) e formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Pará, iniciando atividade jurídica em Belém. Em seguida é nomeado promotor público em Muaná, Santarém, Afuá e Breves. Em 1946 chega ao Amapá assumindo o cargo de delegado de policia do município de Amapá. Em 1947 é nomeado juiz de Direito Itinerante, passando a atuar nos municípios do então Território Federal do Amapá. Em 24 de março de 1952 é nomeado Juiz de Direito da Comarca de Mazagão. Em 10 de julho de 1951 toma posse como promotor público da Comarca de Amapá. Em 7

de janeiro de 1952 é transferido da Comarca de Amapá para Mazagão.Em 17 de março de 1961 escreve ao presidente da Republica posicionando-se contra a assinatura do contrato de exploração do manganês entre o Governo do Amapá e a Icomi, em 1947 – nas bases em que foi elaborado, com ocupações de terras de colonos pela empresa mineradora. Na oportunidade, Jarbas recorreu ao presidente da República com carta explicativa, mostrando a ilegalidade e os danos ambientais que adviriam da exploração, mas não foi ouvido.

          Depois de sua aposentadoria, atuou como advogado do ex-governador Janary Nunes. Casou-se com Olga Vernet Cavalcanti, tendo os filhos Antenor, Ana Maria, Simão Luís e José de Arimathéa. Obras publicadas: 1973 – “Fortaleza de S. José de Macapá – Traços históricos” – Imprensa Oficial do Governo do Amapá.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Personagens do Amapá: ALCY ARAÚJO


Alcy Araujo Cavalcante nasceu em Igarapé Açu (Pará), em 7 de janeiro de 1924, e faleceu em Macapá em 22 de abril de 1989. Chega ao Amapá em 1953, depois de trabalhar em vários jornais do Pará por 12 anos, e fixa residência, desenvolvendo intensa atividade artística, cultural e jornalística, com artigos diários em jornais e emissoras de rádio. Em 1953 casa-se com a professora Delzuite Carvalho, tendo quatro filhos (Alcione, Alcinéa, Alcy Filho e Alcilene). Admitido a partir de 1943 no quadro dos funcionários do governo do Amapá, com a função de redator, exerce vários cargos na administração pública. Trabalhou em quase todos os jornais do Amapá, e por longos anos na Rádio Difusora de Macapá, chegando á direção da emissora. Em 12 de maio 1960,é lançada no rio a obra Modernos Poetas do Amapá, com poemas de Alcy Araújo Cavalcante. Em 3 de julho de 1965 lança a obra AUTOGROGRAFIA (Crônicas) em Macapá.
         
          Foi vencedor, em 1969, do I Festival Amapaense da Canção, com a música “Canção Anti-Muro”, em parceria com Nonato Leal. Compôs vários sambas de enredo para a Embaixada de Samba Cidade de Macapá, Maracatu da Favela e outras escolas. Em 1970 divorcia-se da professora Delzuite, e casa-se com Maridalva Rodrigues dos santos, nascendo as filhas Astrid, Aline, Aldina e Adriane. Escreveu: Amapá 1968 (monografia); Amapá, Verde Território da Esperança (crônica); Autogeografia (crônica e poesia); Jardim Clonal (poesia) e Poemas do Homem do Cais  (Poesia).


          Em 18 de abril de 1989 publica seu ultimo texto:”Carta Aberta ao Povo Amapaense”, publicada no jornal Amapá Estado depois da sua morte. Falece em 22 de abril de 1989 , aos 65 anos.