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quinta-feira, 28 de abril de 2016

CIDADE DO SAMBA



Inaugurada em 20 de dezembro de 2011, pelo governador Camilo Capiberibe, a Cidade do Samba faz parte do Complexo Marco Zero, e está vinculada à Escola Sambódromo. Constitui-se de 5 galpões (o projeto original previa a construção de 10 galpões para serem ocupados, cada um, por uma escola de samba) que são ocupados, cada um, por 2 escolas de samba, como espaço para  construção das alegorias que são usadas durante  os desfiles carnavalescos.

A obra iniciou em 2009, ficou paralisada por falta de repasse para a empresa e foi retomada este ano. O projeto foi idealizado pelo hoje senador João Capiberibe (PSB/AP), quando governador do Amapá. Quando estiver totalmente concluído vai garantir um galpão para cada uma das dez escolas de samba, Corpo de Bombeiros, área externa urbanizada e estacionamento. Como vimos, foram entregues apenas 5 galpões, medindo 25X60m, com setor administrativo refrigerado, banheiros, iluminação, água, caixa d’água, área externa, estacionamento, bar, cozinha e ventilação.



Cada galpão será ocupado por duas agremiações para que possam construir suas alegorias próximas ao Sambódromo, acabando com um dos maiores problemas de logística do Carnaval. O governo do Estado cedeu, em regime de comodato, os galpões para a Liesa – Liga das Escolas de Samba do Amapá, que administra a responsabilidade pelo uso. A distribuição dos ocupantes de cada galpão é decidida pelo Conselho da Liga das Escolas de Samba.


O investimento do governo estadual para que a Cidade do Samba fosse erguida foi de R$ 9.418.473,36, incluindo o aditivo de R$ 419.633,94. Desse total, o governador Camilo Capiberibe repassou R$ 5.265.585,40. 


segunda-feira, 25 de abril de 2016

CINE TERRITORIAL TEATRO


O Cine Teatro Territorial funcionava no mesmo prédio da Escola Barão do Rio Branco e no começo os filmes ainda eram mudos.

Somente em 1948, com a chegada de duas máquinas alemãs Zeiss Ikon a população pode então assistir o melhor do cinema falado. Além de filmes, o Territorial foi palco de inúmeros shows de grandes artistas brasileiros. Luís Gonzaga, Dalva de Oliveira e Ângela Maria, ícones da música popular da época, encantaram a plateia macapaense em apresentações memoráveis naquela casa de espetáculos. São dessa fase as matinês com filas intermináveis, que atraiam a população para assistir clássicos como “E o vento levou”.


Durante algum tempo o Territorial abrigou os programas de auditório da Rádio Difusora.


sábado, 23 de abril de 2016

PRESENÇA DOS FRADES CAPUCHINHOS NO AMAPÁ É DESDE 1686


A ordem dos Frades Menores Capuchinhos é um movimento franciscano reformista, iniciado em abril (ou maio) de 1525. Os pioneiros, freu Mateus de Bascio e os irmãos Tenaglia, frei Ludovico e frei Rafael de Fossombrone, foram considerados apóstatas pelo documento papal de 8 de março de 1526. Porém, contaram com a acolhida dos camaldulenses e o apoio de Catarina Cybo, duquesa de Camerino e sobrinha do papa Clemente VII. Assim, no dia 18 de maio de 1526, os três frades receberam autorização papal para viverem de forma eremitica nos arredores de Camerino (Italia).

Ato continuo, publicaram o manifesto Liberdade para observar a Regra.  Logo juntou-se ao grupo o quarto frade observante, frei Paulo de Chioggia. Em seguida, com simplicidade, traçaram os elementos básicos da reforma.

Estes pobres frades causavam admiração, encanto e benevolência por viverem na pobreza e austeridade, na solidão contemplativa e presença solidária nas necessidades socials, por sua pregação feita com simplicidade e entusiasmo na linguagem popular, por seu hábito simples e estilo bem traçado, pelo afastamento do mundo e vida eremítica. Apenas a Regra, o Breviário, a disciplina, o rosário e o lanço eram objetos de uso particular. Por estes traços, logo foram chamados os frades do povo.

Em torno de 1580, os Capuchinhos, somente na Itália, eram 3.500 frades, vivendo em 300 conventos e divididos em 18 provincias. Em 2002, são 11 mil frades, organizados em 83 provincias e oito vice-provincias. No Brasil são 10 provincias, duas vice-provinicias e uma custódia, totalizando aproximadamente 1.100 frades.

Quem é o frade menor capuchinho? Frade quer dizer irmão, aquele que vive a fraternidade e em fraternidade. Por isso isso, é o irmão que vive sem nada de próprio mas, reparte o saber, os dons, os bens, o afeto e o apoio em fraternidade. Capuchinho é o nome popular devido ao capuz pequeno e longo em forma de cone que os frades trazem incorporado à túnica.

Ação no Amapá

Em 24 de fevereiro de 1686, o rei D. Pedro II (de Portugal) ordena ao governador do Pará e Maranhão, que ele envie os frades capuchinhos que estão no Pará, a buscar amizade com os indios Tucuju, da região do atual Amapá. Em 24 de março de 1688, o rei escreve a Arthur Sá e Menezes, no governo do Pará, proibindo qualquer alteração na repartição das aldeias do Cabo do Norte entre os padres jesuitas e capuchinhos, feita pelo seu antecessor, Gomes Freire de Andrade.

Em 12 de abril de 1693, através de carta-régia, o ri de Portugal confia aos capuchinhos a evangelização das terras do Cabo do Norte, situadas à margem esquerda (terras do Amapá) do rio Amazonas, desde o Cabo do Norte até o rio paru (nos limites de Almeirim, no Pará).


Atualmente existem religiosos capuchinhos na capital do Estado. Eles têm um seminário que fica situado ao lado do Hospital São Camilo (Igreja de Santo Antonio).

domingo, 17 de abril de 2016

O LARGO DOS INOCENTES


Situado atrás da Igreja de São José, em Macapá, entre a rua São José e a Tiradentes, a primeira informação do Largo dos Inocentes data de 1761. O local passou a ter essa denominação por causa da Passagem dos Inocentes, que ligava a Rua do Lago (atual General Gurjão) e a atual Coriolano Jucá. No largo eram realizadas as festas em  louvor a Nossa Senhora Menina, ao Menino Jesus e os Pequenos Mártires Inocentes.[1]

A possível existência de um cemitério infantil atrás do templo antigo (Igreja de São José), onde, segundo o padre Júlio Maria Lombaerde,[2] chegaram a ter, até o final do século XIX, cerca de 450 túmulos de “anjinhos inocentes”, seria a justificativa mais plausível da denominação “Largo dos Inocentes”. Antes da releitura da citada obra do padre Júlio, havia a tese de que a nomenclatura “Largo dos Inocentes” seria em homenagem ao episódio que aconteceu, no tempo de Jesus – citado no Novo Testamento --, era em homenagem e recordação à chacina, autorizada por Herodes, de crianças até 2 anos, ocorrida em Jerusalém, porque ele queria extinguir qualquer vestígio de Jesus Cristo que, segundo informantes do rei, teria nascido para substitui-lo no futuro.[3]



Até o final do século XIX, havia a tradição, entre a população católica e o clero local de qualquer cidade, de enterrar o corpo de membros de famílias que ajudavam na manutenção do vigário local e dos reparos na Igreja, e esses membros eram sempre pessoas de posses, como políticos, lideres locais e pecuaristas. Basta entrar no templo da Igreja de São José – o monumento mais antigo da cidade de Macapá – e observar, no interior, vários túmulos de familiares de pessoas famosas, como os Machado, os Rolas e os Gurjões (alusão às famílias de Leopoldo Machado, Procópio Rola e General Gurjão).

Não há indícios de enterros de crianças na nave interior da Igreja; pois havia também a tradição dos restos mortais das crianças serem colocados em local próprio, e por isso mesmo, foi criado um local, a partir do século XVIII, atrás da Igreja, para que os “anjinhos” fossem enterrados, e em todos os finais de mês, geralmente nas últimas segundas-feiras, eram organizados rituais para “sufrágio das almas destes seres cujas vidas foram subtraídas antes deles chegarem à puberdade – por mistérios que não foram repassados para nós, e que, com certeza, Jesus Cristo explicaria no futuro...”[4]

O ritual mais completo no Largo, envolvendo tanto a lembrança das almas adultas como das infantis, era realizado sempre no dia 2 de novembro, onde a Igreja Católica festeja Finados. Assim, a Boulevard de Macapá, nome da primeira rua, que distava da frente da Igreja até o local onde existe o atual Cemitério de Nossa Senhora da Conceição[5]



Com a criação do Território Federal do Amapá, o primeiro governador, Janary Nunes, juntamente com sua equipe de governo, sentiram a necessidade de expandir Macapá para além da Igreja de São José. Assim, foi criado um novo cemitério, que é o atual Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, entre a Eliezer Levy e a Mendonça Furtado, e todos os restos mortais das crianças enterradas no Largo foram remanejados para a área do então novo cemitério[6]. Os adultos que não eram enterrados na nave da Igreja, ficavam na área da atual Avenida Mendonça Furtado entre a Tiradentes e a Odilardo Silva.

A partir de 1946 seus restos mortais foram remanejados para o referido cemitério. Assim, a nomenclatura Largo dos Inocentes passou para a história de Macapá como um acontecimento do passado, haja vista que sua nomenclatura de Largo foi mudada, com o tempo, para Formigueiro.

Não conseguimos uma justifica plausível para a expressão “Formigueiro”, que substituiu a nomenclatura antiga de Largo dos Inocentes, muito embora alguns descendentes de moradores da década de 50, que estão no mesmo local, afirmem que a expressão se deu porque o antigo Largo passou a ser povoado de várias casas, com movimentos de pessoas de um lado para outro, se transformando numa grande favela dando, assim, o formato de um grande formigueiro, compreendendo toda a área delimitada pelas avenidas General Gurjão e Presidente Vargas e ruas São José e Tiradentes. O tombamento do local teve seu processo iniciado pelo Conselho Estadual de Cultura, e há desejos de tombamento pelo Iphan.



A largura do logradouro correspondia, no passado, ao trecho ocupado pelo templo e as duas travessas, que passavam a seus lados (Travessa de Santo Antonio e Travessa do Espírito Santo). No ponto de fundo paralelo à igreja ficava a última via pública da vila, que ostentava o nome do fundador de Belém, capitão Francisco Caldeira Castelo Branco (atual Rua Odilardo Silva).   Uma passagem, denominada depois de coronel José Serafim Gomes Coelho, interligava o Largo dos Inocentes com a rua General Gurjão e com a travessa Floriano Peixoto.

Ao lado esquerdo da igreja de São José o espaço abrigaria a casa do vigário Miguel Ângelo de Moraes. A casa dava para a Praça de São Sebastião (depois Praça Capitão Assis de Vasconcellos, e hoje Praça Veiga Cabral). No lado oposto foi construído o prédio do Senado da Camara[7]. As casas que circundavam o Largo dos Inocentes eram feitas de barro que eram enxertados em madeiral cruzado. Não havia espaço entre uma casa e outra. De cada lado figuravam dez casas. Ao longo da existência de Macapá, inúmeras famílias ocuparam as moradias. Em anos mais recentes, que antecederam a criação  do Território Federal do Amapá, em 1943, famílias tradicionais ali se estabeleceram, entre elas: os Linos, os Tavares, os Serra e Silva, os Ramos, os Lemos, os Marianos etc.

Os Linos e os Ramos, que também povoaram a frente da cidade, foram convidados, pelo governador Janary Nunes, através de seu líder, Julião Ramos, a se mudar para um local mais ao Norte de Macapá, denominado Laguinho[8], e cada família ganhou um terreno que media 30 por 60 metros, circundado por várias ressacas, e foram criados vários poços de água potável tipo Amazonas, denominados Poços do Mato, onde o último, resistindo à ocupação desenfreada de migrantes, resiste até hoje, atrás da Caesa.

Em 1948, com a chegada dos missionários italianos do Pime[9], a configuração do Largo dos Inocentes mudou. O trecho da passagem José Serafim, entre o Largo e a avenida Presidente Vargas (ex Travessa Floriano Peixoto) foi fechado. As casas edificadas entre a passagem e a casa do vigário foram desapropriadas. O domínio dos padres ganhou cerca e virou “Quintal dos Padres”, local ainda muito freqüentado pelas crianças da paróquia de São José.



Em 1955 foi inaugurado o edifício do então Pensionato de São José, construído através de cooperação entre o então governador Janary Nunes e a Igreja Católica através de sua Prelazia, com a ajuda dos comerciantes locais. Em 1956 começou a funcionar a Escola Paroquial São José, recebendo alunos do curso primário (correspondente às 5 séries iniciais do Ensino Fundamental), tornando a instituição, juntamente com a Escola Santa Bartoloméa Capitânio, as mais famosas da cidade, onde a maioria dos filhos de empresários  e lideres políticos, assim como autoridades do Judiciario, eram matriculados nelas. A Escola funcionou até 1974.

Mas o “golpe de misericórdia” da “morte” do “Largo” se deu a partir de 2011, quando a Diocese de Macapá, sem ouvir as instituições de proteção ao Patrimônio Histórico como o Iphan, autorizou a transformação do conjunto arquitetônico do então Pensionato, num prédio grande, adequado para o funcionamento de um Shopping. Como sempre, e tomando-se como exemplo o próprio templo antigo da Igreja de São José, que não pôde ser tombado por causa das transformações irregulares que os religiosos católicos, tanto da MSF[10] como do Pime, esta mesma prática foi executada no referido conjunto arquitetônico que já possuía mais de 50 anos de existência, e foi criminosamente modificado para se constituir em uma galeria comercial.

Assim, a expressão “Largo dos Inocentes” apenas figura nas crônicas do padre Júlio Maria de Lombaerde, escritas no jornal Correio de Macapá, e em algumas linhas escritas pelo também saudoso padre Ângelo Bubani, e que fazem parte de sua obra “Pistas para a História da Evangelização no Amapá”, mimeografada em 1979. Há uma tendência atual, de técnicos do Iphan, de resgatar um pouco desta história de Macapá antiga, para que estes episódios façam parte do conteúdo acadêmico dos futuros profissionais de História e de todos os curiosos que quiserem saber algo a respeito deste fato histórico.



[1] Alusão à passagem bíblica do Evangelho em que várias crianças abaixo de 12 anos foram assassinadas sob ordens do rei Herodes, no período em que se espalhou a noticia de que tinha nascido o futuro “rei dos Judeus”, Jesus Cristo.
[2] LOMBAERDE, Júlio Maria, Vers Les Amazones – Instituto da Sagrada Família,  Grave, Holanda, 1912. Trad. Ivan Cavalieri, Juiz de Fora, MG, 1987.
[3] Ver Mateus 2. 16-18.
[4] LOMBAERDE, JÙLIO Maria; Momentos Históricos de Macapá, in Correio de Macapá, jornal, edição de 12 de setembro de 1916, Macapá, AP.
[5] A Boulevard de Macapá é a atual Avenida Mendonça Furtado, e passou a ser denominada de Mendonça Furtado, a partir de 1946, por decreto do governador Janary Nunes, em homenagem ao fundador da então Vila de São José de Macapá.
[6] O ano de criação do Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, com a nomenclatura inicial de Cemitério de São José, foi 1946.
[7] No atual prédio da Biblioteca Pública Elcy Lacerda.
[8] O êxodo das famílias Lino e Ramos é cantado através de versos ladrões do Marabaixo, entre eles, “Pra onde tu vais rapaz”.
[9] Pime: Pontifício Instituto das Missões.
[10] MSF: Missiionários da Sagrada Familia.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

PRESENÇA JESUITA NO AMAPÁ



            A intensificação do trabalho missionário jesuítico se dá a partir da chegada do padre João de Souto Maior em 1652. Coube ao padre João a fundação do colégio de Santo Antonio em Belém. A partir desse ano as terras do Cabo do Norte passaram a ter neles, evangelizadores sistemáticos e constantes. Outra tarefa de Souto Maior foi em 1654, quando passou a estabelecer laços de amizade com os Aruaque, ajudando-os a vencer os Aniba, seus inimigos. A vitória sobre os Aniba teve a ajuda de 70 soldados e 400 índios ao comando do major João de Bittencourt Muniz.  Algum tempo depois, os Aruaque consentiram a fundação de uma missão chamada Jari, que passou, em seguida, às mãos dos franciscanos. Mais tarde essa missão tornou-se vila, com a denominação de Fragoso, com uma igreja paroquial. Desavenças e descontentamentos entre comerciantes e exploradores fizeram com que esses jesuítas fossem expulsos do Cabo do Norte por duas vezes: a primeira ocorreu em 1660 e a segunda em 1757.

Em 1666 os padres de Santo Inácio começaram a exploração da Guiana Francesa, mas houve um movimento sistemático de trabalhos evangélicos ao norte e sul da Capitania, produzindo um trabalho magnífico que constou de levantamentos cartográficos, exploração de rios e fundação de escolas. É nesse período – que vai de 1672 a 1800 – que tiveram início as primeiras  coletas de dados feitas por pesquisadores de várias nacionalidades, sobre festas, danças, teatro sobre a vida dos santos, folias e o arraial, que surgiu com a finalidade prática de proporcionar comida e pousada aos visitantes e romeiros. Também entre os jesuítas houve quem fosse martirizado pela exploração dos comerciantes e aventureiros entre os índios, que se dividiam provocados pela lábia desses.

Em 1687 os jesuítas Antonio Pereira (natural do Maranhão) e Bernardo Gomes (Pernambuco) se estabeleceram na região do Cabo do Norte, fixando residência em uma ilha do lago Camonixary. O governador Antonio Coelho de Carvalho e o padre Aloísio Conrado Pfeill, que os tinham acompanhado, ajudaram-nos na construção de uma casa, deixando-os depois de algumas semana, entregues aos trabalhos de evangelização. No dia 13 de setembro, um grupo de índios insuflados pelos comerciantes massacra os dois padres brasileiros. Seus corpos, encontrados pelo padre Aloísio são transportados para Belém e sepultados solenemente na igreja de Santo Alexandre.

Uma Carta-Régia de Portugal, datada de 12 de abril, proclama uma nova repartição das terras entre as congregações religiosas. Aos jesuítas coube a margem direita do Amazonas; aos capuchos de Santo Antonio as terras do Cabo do Norte e a margem esquerda do Amazonas, desde o Atlântico até o Paru (Almeirim), e aos frades da Piedade o rio Xingu e o distrito de Gurupá. As missões do rio Jari estavam sendo bastante positivas. A esse tempo, o padre Antonio Cunha encontra os Waiãpi (Guiapises) que haviam emigrado do sul do Pará, além dos Mocura, que estavam sendo assistidos desde 1700 pelos franceses que passavam a lhe dar presentes, em troca de algumas terras para o estabelecimento de feitorias.

Em 1709 o padre Antonio Cunha consegue dissuadir esses índios da amizade dos franceses. Deslocando-se para o baixo Jari, eles passam a constituir uma missão, tornada oficial em 1710, através da Carta Régia datada de 2 de julho, que autoriza a Companhia de Jesus a explorar e catequizar os índios de ambas as margens do rio.


            Coube ao jesuíta Miguel Ângelo de Morais, acompanhar algumas famílias açorianas ao mando do governador Mendonça Furtado, com a incumbência de darem início à povoação de Macapá em 1751. O próprio padre Miguel Ângelo os ajudou, juntamente com o coronel João Batista de Oliveira e uma guarnição sob seu comando, à construção de casas para as famílias e barracos para servirem de alojamento aos soldados que seriam enviados para cá. Mesmo acusados de terem protegido contrabandistas famosos como Pedro Braga e Francisco Portilho, perseguidos e temidos em toda a região, eles conseguiram, em 6 de junho de 1755, a abolição, por completo, da escravidão indígena do Pará e Maranhão. Mas o que ficou caracterizado por abolição, foi apenas uma troca: os índios escravizados foram libertados, mas a partir desse ano teve início a fase mais negra (literalmente falando) da história: a exportação de escravos africanos.

sábado, 9 de abril de 2016

Indios do Amapá: PALIKUR


Os Palikur, falantes de uma língua  Aruak, estão localizados nos dois loados da fronteira Brasil-Guiana Francesa. A população em território brasileiro, estimada em 862 habitantes (Funai, 1998), eistribui-se em 10 aldeias (Kumenê, Flecha, Puwaytyket, Kamoywa, Tawary, Monge, Urubu) assentadas nos tesos que se levantam ao longo do rio Urucauá, afluente da margem direita do rio Uaçá.


Localizada no extremo-norte do Estado do Amapá, a bacia do rio Uaçá, compreende dois afluentes, o Curipi e o Urucauá. Das cabeceiras dos três rios até próximo ao curso médio a vegetação é de terra firme mas, a partir do curso médio seguindo em direção à foz, a vegetação muda e é tomada por campos alagados, entrecortados por terras mais elevadas que permitem a ocupação humana. Do lado francês, os Palikur vivem dentro do perímetro urbano de Caiena e Saint Georges de L´Oyapock, em bairros construídos pelo governo especialmente para abrigá-los, e em aldeias localizadas na margem esquerda do rio Oiapoque.

As terras ocupadas pelos Palikur fazem parte da Área Indígena do Uaçá e são contíguas à Área Indígena do Juminã (homologada pelo decreto s/N de 21 de maio de 1991).


Além dos Palikur, muitos falam ou compreendem o patuá, utilizado como língua indígena pelos Karipuna e pelos Galibi-Marworno. Do lado brasileiro, a maioria dos jovens escolarizados e alguns homens falam o português. Na Guiana, por influência da escola francesa, quase todos falam o francês, com exceção dos mais velhos e de algumas mulheres.




As agências de contato que atuam entre os Palikur atualmente são a Funai, que possui um Posto Indígena na aldeia Kumenê e cujo chefe é um Palikur; a FNS, e a Secretaria de Educação do GEA. Durante cerca de 12 anos (1965 a 1977), um casal de missionários linguistas do Summer Institute Of Linguistics (SIL), trabalhou junto aos Palikur. Sua base foi a aldeia Kumenê, na qual, em meados da década de 1980, foi construída uma igreja filiada à Igreja Evangélica Assembléia de Deus. A maior concentração da população nesta aldeia deve-se ao grande número de pessoas convertida ao credo pentecostal.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Indios do Amapá: OS WAJAPI



Os Waiãpi, que falam uma língua tupi-guarani, vivem em ambos os lados da fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. São 1.390 pessoas, distribuídas em três diferentes localidades: 511 habitantes na Terra Indígena Waiãpi (No Amapá – Censo de 1999);   29 no Parque Indígena Tumucumaque (Pará – Censo de 1999); e 850 na localidade indígena de Camopi, margem do rio Oiapoque (Guiana Francesa – Censo de 1998).

No Amapá, os Waiãpi ocupam a  TI (Terra Indígena) Waiãpi, homologada em 1996 pelo Decreto nº 1.775. Com 607.017 hectares, ela se insere entre os municípios de Amapari e Laranjal do Jari. Trata-se de uma área de floresta tropical densa, com relevo acidentado em sua porção entre norte e leste, situada entre as bacias dos rios Jari (a oeste), Amapari (a leste) e Oiapoque (ao norte).

Na década de 70, para evitar confrontos com garimpeiros que invadiam suas terras, os Waiãpi concentraram-se em torno do posto da Funai, que se instalou em área de 1973. Mas a partir de 1980, os diferentes grupos locais retornam às suas áreas de ocupação, e passam a controlar as zonas mais atingidas pelas invasões. Neste movimento, eles diversificam suas atividades extrativistas e assumem a garimpagem do ouro aluvionar antes realizada pelos invasores. Este processo de controle territorial ganha novo impulso em 1994, quando os Waiãpi participam ativamente da demarcação física de sua terra, conduzida pelos líderes de aldeia, com apoio operacional do CTI (Centro de Trabalho Indigenista) e da Funai, num convênio com a Agência Alemã de Cooperação.

Os Waiãpi da TI Waiãpi, também conhecidos como Waiãpi meridionais ou Waiãpi do Amapari, são formados por cinco grupos locais distintos, que tiveram trajetórias históricas diversas e mantém, até hoje, pequenas diferenças dialetais. Para se representar uma sociedade nacional, eles organizaram, em 1994, um Conselho reunindo todas as aldeias daquela área. O Conselho das Aldeias Waiãpi, também  denominado Apina (nome de um grupo local rememorado pela sua valentia) foi registrado em 1996. Em 1998 foi fundada a APIWATA (Associação dos Povos Indígenas do Triângulo do Amapari) por alguns memros do grupo local denominado Wiriry-wan.

As agências de contato que atuam nesta área são a Funai (um posto na aldeia Aramirã), a Secretaria de Estado da Saúdo Governo do Amapá (convênio com o Apina para ações do Projeto de Saúde Waiãpi (PSW) e a organização nõo-governamental CTI (Centro de Trabalho Indigenista) com seu programa de intervenções nas áreas de educação e de apoio às iniciativas dos índios para o controle territorial. A (MNTB)  Missão Novas Tribos do Brasil, que trabalhou na Ytuwasu até 1995, continua se relacionando com famílias do grupo local Wiriry-wan, a partir de uma base recém-construída à margem do Riozinho, no limite leste da Terra Indígena.

No Pará, há um pequeno grupo Waiãpi remanescente de um grupo Waiãpi remanescente de um grupo local que vivia no rio Cuc e, mais tarde, na aldeia Molokopote (alto Rio Jari). Os remanescentes desse grupo local foram transferidos pela Funai em 1980 para o Parque Indígena Tumucumaque (PIT), onde convivem com famílias Wayana e Apalaí, em seis aldeias. Ali recebem assistência da administração da Funai de Macapá e do Governo do Estado do Amapá (GEA). Os poucos indivíduos Waiãpi que vivem no Tumucumaque integram a Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque (Apitu); sendo, inclusive, Missico, um Waiapi, o atual presidente desta associação.

Na Guiana Francesa, os Waiãpi vivem em cerca de sete aldeias situadas na margem esquerda do rio Oiapoque. Tal ocupação se limita à margem deste rio e seus afluentes imediatos. Os Waiãpi setentrionais também utilizam a margem brasileira do Oiapoque, onde mantém algumas roças, além de percursos de caça e pesca.

A área de ocupação indígena na Guiana Francesa não tem regularização fundiária diferenciada. Nos últimos cinco anos, diversas tentativas de delimitação de  um Parque Nacional, que englobaria as áreas de ocupação dos índios, vêm sendo recusadas pelos próprios índios.

As ações de saúde e de educação são executadas por agentes dos serviços franceses, a partir da implementação de escolas e postos de saúde localizados em  Camopi (médio Oiapoque) e Trois Sauts (alto Oiapoque) e, quando necessário, em Saint Georges ou Caiena.

Todas as aldeias pertencem à localidade indígena de Camopi, com sede na principal aglomeração da área, no médio Oiapoque. O prefeito e membros do conselho municipal são todos indígenas, Waiãpi e Emerillon (outra etnia de língua tupi que habita na região). Na Guiana, os índios se encontram melhor representados diante do Estado francês por meio da política municipal, estando, em um nível mais amplo, também integrados à “Association des Amérindiens de Guyane”  (AAGF), entidade fundada em 1981 e até hoje dirigida por líderes Galibi.

Costumes – Como seus antespassados, os Waiãpi vivem a tradição na mais perfeita harmonia com a natureza que aprenderam a amar e a respeitar. Eles lutam para não perder a identidade cultural, apesar dos 26 anos de contatos ininterruptos com o homem branco. Eles foram vistos pela primeira vez entre 1972 e 1973, por oficiais da FAB que fizeram sobrevôos na região do Amapari.

Ainda não usam na alimentação açúcar e sal, ou qualquer condimento industrializado. Usam a panela de alumínio no dia-a-dia do lar. Sua religião tem divindades próprias e os guerreiros seguem fielmente os rituais religiosos. Já usam arma de fogo para a caça, mas utilizam com maior freqüência o facão e o machado de aço para abrir roças e picadas. Ao dormir eles utilizam cobertor e mosqueteiro.

Aprenderam a garimpar mas, sem agredir o meio ambiente não utilizando-se do mercúrio. Não lavam vasilhas nem limpam caças no rio para não poluí-lo. Quando precisam, retiram a água para limpar o que for necessário fora do rio. Para eles, as águas dos rios, igarapés e lagos são sagradas, por serem moradas dos espíritos.

Matar determinados animais como o jacu e a cobra sucuriju, é considerado tabu, principalmente os que não lhe fazem mal ou não são necessários à alimentação do índio. Tendo consciência do perfeito equilíbrio da natureza, eles só matam para comer.

Os Waiãpi se organizam politicamente diferente dos demais índios do Amapá. O poder exercido pelo cacique é hierárquico. O escolhido é preparado para  o cargo desde criança. Cada cacique tem total autonomia para resolver seus próprios problemas. O respeito mútuo é marca registrada da vida social dos Waiãpi. Cada indivíduo conhece seu papel na aldeia e a divisão do trabalho faz parte indissolúvel de sua cultura.

Vida Familiar -  Os Waiãpi mantém a tradição familiar. Os casamentos são feitos sob negociação entre famílias, sem influência do futuro casal. Os preparos começcam quando ambos ainda são crianças. Por isso a relação amorosa do casal passa a ser conveniência familiar, envolvendo negociações dos pais.

Para um casal ficar junto, depende das famílias de ambos, que conversam e trocam bens. Quando um jovem índio se casa, vai morar na cada dos pais da moça até porque ele passa a trabalhar para o sogro. Este, por sua vez, o tem sob domínio até o nascimento do primogênito, quando poderá construir sua casa própria e viver sozinho com a mulher. Neste ínterim, o sogro pode achar que o genro é preguiçoso e, se for constatado, pode separa-lo da filha. Mas a separação só será possível se o primogênito ainda não estiver nascido.

Entre os Waiãpi não existem preocupações sobre virgindade ou ciúme. Casos de homossexualismo não existem, porque os papéis sociais masculino e feminino são bem definidos.  As meninas, após a primeira menstruação (11 a 13 anos) já está pronta para o casamento.

A divisão do trabalho entre o homem e a mulher é bem clara e sem meio termo. Na roça o homem derruba, queima e prepara a terra. Compete à mulher plantar, zelar, colher e fazer a farinha. A falta de uma mulher numa aldeia waiãpi é considerada grave, pois homem não pode fazer trabalho de mulher e vice-versa.

Antigamente o pai matava o recém-nascido quando a mãe não sobrevivia ao parto, porque ele não podia ser amamentado. Após o contato com o homem branco o costume mudou, estendendo as atribuições da amamentação a parentes mais próximos que já cuidam de crianças nesta situação.

Antes do contato com o homem branco, qualquer criança índia que nascia alejada era morta, pois todo guerreiro tem que saber, desde o nascimento, enfrentar sozinho qualquer perigo, como é o caso do ataque de animais selvagens quando este índio está em atividade de caças.